sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Natural X Artificial


NUNCA (eu disse NUNCA) um nutriente artificial (manipulado ou até mesmo da indústria farmacêutica) será superior ao natural. Portanto, sempre que possível opte pelas fontes naturais. 

Exemplo bem simples é a Vitamina C. Na natureza não encontramos ácido ascórbico isolado e sim um complexo C (ácido ascórbico com bioflavonóides) no qual os componentes tem ação sinérgica. 

Exemplo 2: Selênio quelato e o selênio natural da castanha do Pará. Alguém já viu algum estudo decente com selênio quelato? A maioria é com selenito. Alguém já viu o selênio do paciente subir apenas com suplementação de selênio (metionina ou quelato) mesmo em doses mais altas? Eu não. Mas ja vi com o consumo de Castanha-do-Pará. 

Exemplo 3: Um outro exemplo é a Vitamina E (manipulada ou nos produtos da indústria, na maioria das vezes é vendida apenas como alfa-tocoferol). O Alfa tocoferol é apenas uma das frações da Vitamina E. a vitamina E é composta por quatro tocoferóis (alfa, beta, gama, delta) e quatro tocotrienóis (alfa, beta, gama, delta). Tem estudo mostrando que só a suplementação isolada de alfa-tocoferol pode elevar o risco de câncer de próstata. Pq? Pq não existe na natureza nenhum alimento com alfa-tocoferol isolado. Logo, a melhor forma de consumir Vitamina E é através da ingestão das fontes naturais.

Exemplo 4: Ômega 3 industrializado x in natura. Pouquíssimas marcas de ômega 3  cumprem o que promete, que é fornecer uma maior quantidade de ômega 3  por cápsula. A maioria tem menos de 60% da cápsula composto por ômega 3, os outros 40% é ômega 6. Já no atum e sardinha, que são fontes baratas e acessíveis no nosso meio, encontramos alto teor de ômega 3, além de proteínas, cálcio, magnésio, zinco. Coisa que provavelmente vc não encontrará no ômega 3 industrializado. 

Suplementação é importante? Sim, principalmente quando se tem a comprovação laboratorial da deficiência.

Mas sempre que possível opte por consumir alimentos e não suplementos. 

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Mulheres e anabolizantes: em busca de um modelo de beleza supersarado, elas se arriscam a ter doenças como câncer de fígado e ataque cardíaco


A reportagem abaixo foi publicada na revista Marie Claire desse mês. Acho interessante postar aqui pra algumas pessoas entenderem o mínimo sobre os prováveis malefícios que tais substâncias podem ocasionar ao organismo.

Semanalmente recebo no meu consultório pacientes que desejam fazer modulação hormonal bioidêntica, reposição hormonal sem a devida comprovação laboratorial. Primeiro, não faço pq não sou endócrino. Segundo, mesmo se fosse endócrino só faria mediante necessidade e quando digo necessidade isso incluiu uma investigação prévia o porquê daquele hormônio estar reduzido. Inúmeras são as variáveis relacionadas ao aumento ou redução de um hormônio. Portanto não é nada lógico chegar de imediato e prescrever por exemplo uma testosterona.

Mas pq tantas mulheres estão querendo utilizar testosterona?

1º Pq a testosterona aumenta massa magra e reduz tecido adiposo. Além de melhorar a libido.
2º Pq existem médicos que prescrevem, mesmo quando não há comprovação de deficiência (via exame sanguíneo).
3º Pq essas mesmas mulheres veem amigas utilizando e tendo "bons" resultados a curto prazo e querem utilizar.

Minha pergunta é: Resultados bons a curto prazo às custas de que? Será que testosterona ou outros anabolizantes (oxandrolona, durateston) são tão inofensivos mesmo sob acompanhamento médico?
Sinceramente, acredito que não. Para algumas os efeitos colaterais nunca surgirão, para outras podem vir mais cedo ou mais tarde, na forma de uma virilização, câncer de fígado, transtornos psiquiátricos ou aumento do risco de doenças cardiovasculares. Nesse caso é mais prudente pecar pelo excesso de zelo.

att

Dr. Frederico Lobo (CRM-GO 13192)


Mulheres e anabolizantes: em busca de um modelo de beleza supersarado, elas se arriscam a ter doenças como câncer de fígado e ataque cardíaco.

Coxas tão rígidas que dificultam a entrada de uma agulha. Mulheres com voz grave, maxilar largo e colesterol nas alturas. Na busca de um novo modelo de beleza, milhares de brasileiras comprometem sua saúde como uso de anabolizantes proibidos. Marie Claire investiga, na edição de novembro (já nas bancas) o que pensam, o que fazem e até onde podem chegar as garotas que fizeram dos supermúsculos um sinônimo de perfeição. E todos os riscos, de morte inclusive, que elas correm para atingir um padrão que vai contra a estrutura física feminina.

Quem usa anabolizantes tem como referência as musas que vêm do universo da TV (são participantes de reality shows e assistentes de palco que animam de biquíni os auditórios), dos grupos de funk e do fisiculturismo. O novo biotipo tem até apelido: mulher-rã, por causa da proporção entre as pernas muito grossas (e, por isso, separadas) e o restante do corpo. O problema é que essa estética desconsidera a genética feminina, que tem níveis mais altos de gordura porque ela é necessária para engravidar. Uma mulher saudável costuma ter cerca de 25% de gordura no corpo. Abaixo dos 15%, os hormônios femininos podem parar de ser produzidos, interrompendo a menstruação e trazendo sérios riscos para a saúde. Mas são justamente esses índices quase sobre-humanos que essa tribo almeja. E, para chegar aos resultados, muitas delas não só se alimentam de maneira supercontrolada e treinam muitas horas por dia: fazem também uso de anabolizantes proibidos. Essas substâncias são parte de uma classe de hormônios (sintéticos ou naturais), na maior parte derivados da testosterona.

Quando entra no corpo, o anabolizante diminui o efeito dos hormônios da mulher. Ela gradualmente perde as formas arredondadas, deixa de acumular líquidos e elimina gordura. “A pele adere aos músculos e as veias aparecem”, afirma a endocrinologista e nutróloga Vânia Assaly. Junto com as mudanças externas vêm as internas, perigosíssimas. No curto prazo, o colesterol entra em desequilíbrio imediato: o bom (HDL) cai e o ruim (LDL) sobe. Isso multiplica a chance de acidentes vasculares. A pressão arterial aumenta. O coração, que é um músculo, também sofre hipertrofia. No médio e longo prazo, rins e fígado são bastante comprometidos. É justamente nesse último que o esteroide é metabolizado, o que o leva a ficar “tóxico”. Em casos graves, há necessidade de um transplante. O pior de tudo: Vânia explica que muitos efeitos colaterais são permanentes, mesmo quando se interrompe o uso. “As mulheres sofrem um aumento da agressividade, ansiedade e competitividade”, afirma. “E, em pessoas que já têm a tendência, o uso de anabolizantes pode detonar transtornos psiquiátricos, como bipolaridade.”

Mulheres e músculos: nova mania nacional

Para entender o fenômeno, Marie Claire conversou com pessoas comuns como a estudante Ana Paula*, 21 anos, de Belo Horizonte, que começou a malhar há um ano. Pesava 50 quilos e se matriculou na academia apenas para definir suavemente as formas. O namorado, o técnico em agrimensura Marcello*, a incentivou. Rodeada por mulheres musculosas e que treinavam sem parar, entretanto, ela passou a admirar essa estética.

Apenas dois meses depois, decidiu fazer o primeiro ciclo com anabolizantes. “Comprei a agulha, limpei e coloquei (no músculo) sem nada, só pra ver se tinha coragem. No dia seguinte, foi para valer.” O ciclo, como é chamado o período em que a pessoa usa os esteroides, durou dois meses. Ana aplicava nas próprias pernas, semanalmente, 100 ml de uma substância chamada estanozolol, um derivado sintético da testosterona usado em cavalos, para aumentar a força do animal. No Brasil, a versão para humanos da substância também pode ser encontrada, mas seu uso é controlado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Por causa das graves consequências que podem trazer à saúde, os esteroides são usados em casos muito específicos, como, por exemplo, em pacientes de câncer ou portadores de HIV que perderam muita massa muscular. “Mesmo assim, é feito de forma controladíssima”, diz o médico infectologista Jean Gorinchteyn, do Hospital Emilio Ribas, em São Paulo, referência em pesquisa e tratamento da aids. O limite é estipulado pelo próprio Conselho Federal de Medicina, que proíbe indicações de hormônios para fins estéticos ou de antienvelhecimento.

Mas não é o que acontece no dia a dia. Ana Paula comprou os produtos com uma receita médica assinada por seu endocrinologista (que ela preferiu manter anônimo à reportagem de Marie Claire). Ele pediu exames e prescreveu remédios para aplacar os efeitos colaterais. Mesmo assim, a voz engrossou (ela é rouca até hoje), a estudante parou de menstruar, sentiu calor excessivo por vários dias, teve espinhas e viu seu índice de colesterol ruim disparar. Ao todo, gastou R$ 1,5 mil em produtos, fora as consultas médicas e exames. “As pessoas se preocupam, tem gente que acha que eu estou exagerando. O que eu fico com medo mesmo é da ‘virilização’. Algumas meninas começam a ter pelo no rosto”, conta ela. “O resto eu sei que volta ao normal.”

Não é bem assim. Alguns dos efeitos, de fato, podem até se normalizar após um tempo – mas a endocrinologista Vania Assaly explica que não há garantia. “Se o anabolizante não for usado várias vezes, o colesterol pode até baixar e o comportamento agressivo tende a voltar ao normal. A sobrecarga do fígado também vai diminuir. Mas o volume do pescoço, por exemplo, aumenta e não volta mais”, diz ela, referindo-se a uma das principais características da “virilização”. “O maxilar também alarga para sempre.”

Em menos de três meses, o peso de Ana Paula saltou de 50 quilos para 69. “Os músculos começam a aparecer na quarta semana. Você vê que é rápido, que aquilo nunca aconteceria se não estivesse usando a droga. É tão bom que mexe com seu psicológico, você não quer parar mais.” O segundo ciclo aconteceu de junho a setembro deste ano. Na ocasião, a coxa dela estava tão rígida que dificultava a entrada da agulha. “Doía muito. Tive de pedir para o meu namorado aplicar para mim, no glúteo. Ele aprendeu vendo vídeos no YouTube.” Marcelo, o namorado – que também já utilizou esteroides –, não acha que a rigidez da coxa é um indício de exagero. “Se ela começar a ficar com traços masculinos, vou achar feio. Mas está longe disso. Acho que Ana pode evoluir mais um pouco ainda”, afirma. Alheio aos riscos, ele reclama das alterações de humor da garota. “Quando ela faz o ciclo, fica insuportável. Ela passa o dia inteiro nervosa e não posso falar nada que a gente briga. E nunca pede desculpa.” A endocrinologista Vânia explica que esse comportamento é um padrão de usuárias de esteroides. “De competitivas e vitoriosas, que é o que todas buscam, elas se tornam agressivas e impacientes.”

O que dizem os médicos?

Com o uso de esteróides, as chances de desenvolver câncer, especialmente no fígado, aumentam. “E como esta é uma região que recebe muito sangue, o risco de metástase é maior”, diz o médico Dr. Jomar Souza, especialista em medicina esportiva. Em seu consultório, ele recebe atletas profissionais e amadores e, nos últimos anos, um número crescente de mulheres dispostas a tomar esteroides. “Em 2000, não se via isso. De lá para cá, houve um boom de mulheres à procura dessas substâncias.” Às suas pacientes, Dr. Jomar explica que os danos permanentes não se resolvem com exames periódicos. “Não há nenhuma garantia de que os efeitos colaterais possam ser revertidos”, afirma. Além do caráter “roleta russa”, o uso pode causar dependência física e psicológica, diz. “A pessoa precisa de uma dosagem cada vez mais alta para manter os efeitos e, se para de tomar, não encontra mais o prazer que tinha ao se ver no espelho.”

Outro efeito colateral foi o aumento do clitóris, inchado por causa dos hormônios masculinos.
Essas mesmas substâncias podem ter efeitos devastadores numa gravidez, alerta a endocrinologista Vânia Assaly. “Pode haver má-formação fetal, alterando o desenvolvimento dos genitais do bebê”, diz. Para muitas usuárias, apenas o anticoncepcional não é suficiente para evitar a gestação. “É imprevisível a ação dos hormônios no fígado. Eles podem metabolizar de forma incompleta, anulando o efeito da pílula.” Sem contar as chances de uma menopausa precoce e osteoporose.

Tumores múltiplos 

O oncologista Sergio Renato Pais-Costa, cirurgião do Hospital de Base do Distrito Federal, relata casos de tumores em usuárias dessas substâncias. “Tive uma paciente jovem que precisou ser operada de tumores múltiplos causados pelo abuso de anabolizantes. Hoje ela está bem, mas poderia ter morrido por rotura dos tumores ou ter havido transformação maligna”, diz. Segundo a cardiologista Maria Janieire Alves, do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor/SP), que desde 2009 pesquisa o tema, o corpo feminino sofre mais do que o masculino com o abuso de esteroides.“Na mulher, os sintomas mais comuns são a pressão arterial elevada, a dor no peito que pode evoluir para angina e infarto”, diz.

Nada disso, entretanto, parece preocupar garotas dispostas a moldar o corpo com drogas proibidas. A endocrinologista Vânia Assaly recebe muitas em seu consultório. Além de recusar receitas, tenta dissuadi-las. “Explico os riscos, mas elas me dizem que preferem ir para o caixão sem nenhuma celulite. Já tive paciente que me falou: ‘Prefiro enfartar a ter gordura na bunda’.”


Fonte: http://revistamarieclaire.globo.com/Comportamento/noticia/2013/11/mulheres-e-anabolizantes-em-busca-de-um-modelo-de-beleza-supersarado-elas-se-arriscam-ter-doencas-como-cancer-de-figado-e-ataque-cardiaco.html

sábado, 12 de outubro de 2013

Medicamentos que aumentam o apetite, por Dr. Paulo Giorelli


Quais são esses medicamentos?

Resumo dos principais medicamentos que podem levar ao ganho de peso:

  • Os antidepressivos: esses medicamentos agem por meio de neurotransmissores e promovem o desejo de comer.  Pessoas que tomam este alguns antidepressivos costumam ganhar peso, e esse seria o fator pode favorecer o aparecimento de ligado ao diabetes tipo 2. Outra possibilidade é de que os antidepressivos tenham algum tipo de interferência no nível de açúcar no sangue. As conclusões foram publicadas na revista científica “Diabetes Care“.
  • Os neurolépticos: esses medicamentos também agem sobre os neurotransmissores e provocam uma verdadeira ‘’fome’’.
  • Alguns medicamentos podem aumentar o apetite para doces e carboidratos, por exemplo: Remeron (Mirtazapina, Menelat), Tryptanol (Amytril, Amitriptilina), Tolvon (Mianserina), Zyprexa (Ziprazidona), Orap, Tegretol (Carbamazepina), Trileptal (Oxcarbamazepina, Oleptal), Depakote (Ácido Valpróico, Depakene), Tofranil (Imipramina), Anafranil (Clomipramina).
  • Alguns outros podem provocar aumento de peso depois de muitos meses de uso, por exemplo: Paroxetina (Cebrilin, Aropax, Paxil CR, Aotin, Benepax), Ácido Valpróico (Depakene, Depakote), etc.
  • Os Ansiolíticos e Hipnóticos Benzodiazepínicos não provocam ganho de peso, por exemplo: Rivotril, Clonazepam, Valium, Diazepam, Lexotan, Somalium, Bromazepam, Lorax, Lorazepam, Olcadil, Noctal, Frontal, Apraz, Alprazolam, Dalmadorm, Dormonid, Rohypnol, Midazolam, Flurazepam, Flunitrazepam, etc.
  • Com Efexor (Venlafaxina, Venlaxin, Venlift) e Cymbalta o ganho de peso não é freqüente.
  • Lexapro, Exodus, Escitalopram, Cipramil, Citta, Maxapan, Citalopram, Zoloft, Tolrest, Sertralina não costumam provocar aumento de peso.
  • A pílula anticoncepicional, age pelo sistema hormonal. As pílulas que contém estrógeno são as pílulas mais propensas a levar ao ganho de peso, quando comparadas às aquelas que contêm progesterona (minipílula), porque o estrógeno promove a retenção de água, e portanto, leva ao ganho de peso. No caso de você ganhar peso com o uso da pílula clássica, pergunte ao seu médico quanto ao uso da minipílula ou de outras técnicas de contracepção (como ex. o anel contraceptivo).
  • Os corticóides como a Prednisona (um tipo de cortisona). Essa classe de medicamentos possui um forte efeito antiinflamatório, sendo muito utilizado contra diversas doenças inflamatórias como a artrite (incluindo a poliartrite reumatóide). Infelizmente o seu uso pode desencadear diversos efeitos secundários como o ganho de peso. Se esse for o seu caso, converse com seu médico sobre a possibilidade de mudar o tratamento, por exemplo, o uso de Antiinflamatórios não-esteroidais (AINES) ou outra classe de medicamentos. O corticóide é o vilão no ganho de peso. “Pacientes que tomam doses altas de corticóide por um tempo prolongado podem ganhar até 20kg em um ano
  • Os ansiolíticos e/ou antihistamínicos: os medicamentos à base de difenidramina podem levar ao ganho de peso, pois essa molécula possui um efeito sedativo que diminui o consumo de energia (diminuição do metabolismo). Consequentemente, o organismo irá queimar menos calorias, o que vai levar ao ganho de peso.
  • Podem promover ganho de peso: Medicações para o tratamento do diabetes do tipo 2 (insulina, sulfoniluréias, tiazolidinedionas ), 
  • Antihipertensivos (diuréticos tiazídicos, diuréticos de alça, bloquedores de canal de cálcio, beta bloqueadores).Entre os medicamentos para pressão arterial que podem gerar ganho de peso estão o metoprolol, o atenolol, o propranolol, a amlodipina e a clonidina.
  • Remédios para transtornos de humor também acarretam ganho de peso. Entre eles estão os antipsicóticos clozapina, olanzapina, risperidona e quetiapina. Além destes, o uso prolongado de sais de lítio, o ácido valpróico e a carbamazepina também pode engordar Em geral os antidepressivos mais antigos são mais propensos a causar ganho de peso do que os ISRS [inibidores seletivos da recaptação de serotonina].

Medicamentos orexígenos (aumentam o apetite)

  • Acetato de megestrol (AM) é um derivado sintético, ativado por via oral, do hormônio progesterona. Este é o medicamento mais estudado dentre os orexígenos. Pode induzir o apetite pela estimulação do neuropeptídeo-Y (NPY), presente no cérebro e secretado pelo hipotálamo, com capacidade de estimular o apetite; e pela inibição de citocinas pró-inflamatórias, como interleucina 1 (IL-1), IL-6 e fator de necrose tumoral-alfa (TNF-alfa). Tanto o NPY quanto as IL e o TNF podem levar à caquexia pela diminuição da ingestão alimentar direta ou por meio de mediadores anorexígenos, como leptina e serotonina. Os agentes corticosteróides incluem a prednisolona e a dexametasona. Seus mecanismos de ação envolvem a inibição da síntese ou da liberação de citocinas pró-inflamatórias, citadas acima. Ou seja, estimulam o consumo alimentar e diminuem o gasto de energia (1,2).


Eles podem atrapalhar uma dieta?

  • Sim!  Mas se o(s) medicamento(s) que estiver causando  aumento do apetite tiver sido prescrito pelo médico a substancia não deve ser interrompida a não ser que o médico que prescreveu autorize a interrupção do uso do medicamento




Autor: Dr. Paulo Giorelli - Médico, nutrólogo, presidente da ABRAN-Regional RJ. Diretor do Departamento de Obesidade e Síndrome Metabólica da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN)

Fonte: http://abran.org.br/para-profissionais/medicamentos-que-aumentam-o-apetite/

sábado, 5 de outubro de 2013

Europa discute o uso de substâncias que afetam o sistema hormonal

Publicado originalmente no Le Monde (5/10/2013)

É um caso tão polêmico que agora está nas mãos do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso. Assim, sua conselheira científica, Anne Glover, deverá reunir nos próximos dias todos os cientistas envolvidos em uma grande controvérsia com importantes questões econômicas envolvidas: que posição os Estados-membros devem adotar em relação aos disruptores endócrinos?

Bruxelas deve decidir até o final do ano sobre as medidas destinadas a proteger os europeus dos efeitos dessas substâncias – plastificantes, cosméticos, pesticidas etc – que interferem no sistema hormonal, a exemplo do Bisfenol A, que será proibido definitivamente nas embalagens de alimentos na França em 2015.

A polêmica atingiu uma intensidade inédita nos últimos dias. Certos membros da comunidade científica acusam – veladamente – vários de seus pares de fazerem manobras a favor de interesses industriais, em detrimento da saúde pública.

"A ciência se tornou motivo de guerra"

A rixa começou neste verão com a publicação, em diversas revistas acadêmicas, de um artigo no qual dezoito toxicólogos (professores ou membros de órgãos públicos de pesquisa) criticavam as medidas em discussão em Bruxelas. Restritivas demais para muitas indústrias, estas seriam, segundo os autores, "precauções cientificamente infundadas". Os signatários, liderados pelo toxicólogo Daniel Dietrich (Universidade de Konstanz, Alemanha), contestam, por exemplo, que essas moléculas possam ter consequências nocivas em doses muito baixas.

No entanto, esses efeitos são o foco de inúmeras pesquisas científicas feitas nos últimos quinze anos e são reconhecidos por um relatório publicado conjuntamente em 2012 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Em especial, nos animais, a exposição in utero a algumas dessas moléculas em doses baixíssimas aumenta os riscos de ocorrência de determinadas patologias no decorrer da vida – câncer hormônio-dependente, obesidade, distúrbios neurocomportamentais etc.

O texto dos dezoito pesquisadores imediatamente provocou comoção. E uma suspeita considerável. "O problema das 'intenções dissimuladas' se acentuou, ao mesmo tempo em que aumentou a capacidade da ciência de influenciar na regulamentação dos poluentes e que a pesquisa acadêmica passou a depender cada vez mais do apoio financeiro da indústria", escreveram na revista "Environmental Health" Philippe Grandjean (Harvard Public School of Medicine, University of Southern Denmark) e David Ozonoff (Boston University), professores de saúde ambiental e responsáveis pela publicação. "A ciência se tornou motivo de uma guerra, com a maior parte de suas batalhas ocorrendo nos bastidores."

Nada menos que 18 contratos de consultoria entre 2007 e 2012

Na mesma edição da "Environmental Health", cerca de quarenta toxicólogos e endocrinologistas publicaram uma outra resposta cáustica, apontando que o texto de Daniel Dietrich e de seus coautores é produto de "uma vontade de influenciar nas decisões iminentes da Comissão Europeia". Uma centena de outros cientistas opinaram, em um editorial do último número da revista "Endocrinology", que o texto de Dietrich e de seus coautores "representa a ciência de maneira enganosa."

Acima de tudo, as réplicas dirigidas aos dezoito pesquisadores se indignam com o fato de que estes não divulgaram – como é de praxe nas revistas científicas – seus laços de interesse com as indústrias potencialmente afetadas por uma nova regulamentação. "É isso que fazem os 25 cientistas, dos quais faço parte, que redigiram em 2012 o relatório da OMS e do Pnuma", explica Ake Bergman (Universidade de Estocolmo). "É também o que fizeram todos os signatários – dos quais faço parte – da resposta enviada a Dietrich e seus coautores."

As ligações destes últimos com a indústria por fim vieram a público. No final de setembro, uma pesquisa da agência Environmental Health News (EHN) revelou que 17 dos 18 autores mantinham relações financeiras com "indústrias químicas, farmacêuticas, cosméticas, do tabaco, de pesticidas ou de biotecnologia."

Carta aberta à conselheira científica de Barroso

Alguns deles tiveram seus laboratórios financiados por empresas, outros receberam remunerações pessoais como consultores ou conselheiros científicos. O toxicólogo Wolfgang Dekant (Universidade de Würzburg, Alemanha), por exemplo, assinou, segundo informações reunidas pela EHN, nada menos que dezoito contratos de consultoria entre 2007 e 2012 com empresas cuja identidade ele não divulgou. E a lista não para por aí. Dietrich e seus coautores também estão na iniciativa de uma carta aberta a Anne Glover, assinada por cinquenta outros cientistas. De acordo com uma primeira análise efetuada pela EHN, pelo menos quarenta deles também têm ligações com indústrias.

"As estimativas mais recentes sugerem que quase mil moléculas poderiam ser disruptores endócrinos", explica Grandjean. "Logo, são vários os setores que podem ser implicados." O pesquisador, uma das referências em pesquisa em saúde ambiental, diz não estar surpreso com as colaborações de Dietrich e seus coautores com os meios industriais, mas se espanta com o fato de que "eles aparentemente não colaborem com ONGs ou associações de pacientes."

As zonas cinzentas também se estendem para dentro da Comissão

Dietrich não quis responder ao "Le Monde". Um dos coautores, Wolfgang Dekant, garante que não houve "nenhum envolvimento da indústria, formal ou informal", na iniciativa ou na redação do texto.

As zonas cinzentas se estendem também para dentro da Comissão. A deputada europeia Michèle Rivasi (Europe Ecologie-Les Verts), bem como outros parlamentares, vão endereçar nos próximos dias uma questão por escrito a José Manuel Barroso para exigir a publicação da declaração de interesses de Anne Glover, sua conselheira científica. Esses elementos por enquanto não foram comunicados no site da Comissão.

Em Bruxelas, afirma-se que somente os comissários são obrigados a redigir e tornar pública uma declaração de interesses. Foi explicado ao "Le Monde" que José Manuel Barroso havia escolhido Anne Glover após um "rigoroso processo de recrutamento".

Fonte: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2013/10/05/europa-discute-o-uso-de-substancias-que-afetam-o-sistema-hormonal.htm

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Prevenção com ácido fólico na gravidez é rara e incorreta no Brasil


No SUS o protocolo de pré-natal da gestante estabelece como dose ideal: 5mg (5000mcg) por dia, dose "cavalar". Essa dose associada ao uso de sulfato ferroso acaba depletando os níveis de Zinco e favorecendo uma alteração imunológica no bebê, devido um desequilíbrio entre Linfócitos T Helper1 e T Helper2, aumentando a propensão a doenças alérgicas.

Vale a pena ler a reportagem.

Prevenção com ácido fólico na gravidez é rara e incorreta no Brasil

Uma medida simples para evitar malformações em bebês ainda é pouco adotada pelas brasileiras e será tema de campanha nacional com lançamento marcado para hoje em São Paulo.

Um levantamento com 500 mulheres realizado pelo médico Eduardo Borges da Fonseca, professor de obstetrícia da Universidade Federal da Paraíba, mostra que só 13,8% tomaram suplemento de ácido fólico antes de engravidar.

O uso dessa vitamina ao menos 30 dias antes do início da gestação, continuando até o terceiro mês, reduz em cerca de 75% a ocorrência dos defeitos de fechamento do tubo neural (a região do embrião que vai dar origem ao sistema nervoso central).

Hoje, 1 em 1.000 crianças nasce com algum desses problemas no país. Os mais comuns são espinha bífida (exposição dos nervos da medula espinhal) e anencefalia.

A anencefalia leva à morte do bebê. No caso da espinha bífida, a gravidade varia conforme a posição da lesão e a extensão. Algumas crianças não precisam de tratamento e outras podem ser submetidas a cirurgia logo após o parto. Mas muitas, mesmo após a operação, sofrem sequelas, como paralisia e dificuldades de aprendizagem.

No estudo, feito em João Pessoa, a maioria das que usaram o ácido fólico o fez de forma incorreta, muitas vezes com doses maiores dos que as ideais (de 400 microgramas por dia). Estudos com animais apontam que a suplementação em excesso pode levar a bebês com baixo peso.

Cerca de metade da amostra era de mulheres atendidas pelo SUS e a outra metade, de clínicas particulares. "Não houve diferença entre os grupos", afirma Fonseca, que é presidente da comissão de medicina fetal da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

"Os números que nós encontramos são muito semelhantes aos de um estudo feito em Pelotas (RS) há seis anos. A situação não melhorou desde então."

O fechamento do tubo neural acontece entre a segunda e a quarta semana de gravidez. No Brasil, segundo pesquisa da Fiocruz com 22 mil mulheres, 55% das gestações não são planejadas.

"Em geral, a mulher só chega ao médico de dois a três meses depois do início da gravidez, o que já é uma fase tardia para o início da suplementação", afirma o médico.

Por isso, um dos focos da campanha da Febrasgo é estimular médicos a informar as mulheres sobre a importância do suplemento durante as consultas anuais.

A fortificação de farinhas de trigo e de milho com ácido fólico, obrigatória no Brasil desde 2004, consegue reduzir em 39% a ocorrência das malformações.

"Mas essa medida não atinge a todas. Muitas mulheres hoje adotam dietas da proteína, com baixa ingestão de carboidrato. Por isso é melhor usar as duas formas de prevenção: a alimentação fortificada e a suplementação."

Pesquisa associa consumo regular de alimentos fritos ao câncer de próstata


onsumo regular de alimentos fritos tais como batatas fritas, frango frito e donuts está associado com um risco maior de câncer de próstata, e o efeito parece ser mais forte no que diz respeito a formas mais agressivas da doença, de acordo com pesquisadores do Fred Hutchinson Cancer Research Center, nos EUA.

Estudos anteriores sugeriram que o consumo de alimentos preparados com métodos de cozedura a alta temperatura, tais como a carne grelhada, pode aumentar o risco de câncer de próstata, este é o primeiro trabalho a examinar a fritura.

A pesquisa foi descrita na revista The Prostate: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/pros.22643/full

A líder da pesquisa Janet Stanford e seus colegas analisaram dados de uma base populacional de estudos envolvendo um total de 1.549 homens diagnosticados com câncer de próstata e 1.492 homens saudáveis pareados por idade.

Os homens eram caucasianos e afro-americanos residentes da área de Seattle com idades entre 35 e 74 anos. Os participantes foram convidados a preencher um questionário dietético sobre o seu consumo habitual de alimentos, incluindo especificamente alimentos fritos.

Os resultados mostraram que os homens que relataram comer batatas fritas, frango frito, peixe frito e / ou donuts pelo menos uma vez por semana tinham um risco maior de câncer de próstata em comparação com os homens que disseram ingerir esses alimentos menos de uma vez por mês.

Em particular, os homens que comeram um ou mais desses alimentos pelo menos semanalmente apresentaram um risco de câncer de próstata entre 30 a 37% maior. Consumo semanal destes alimentos foi associado também com uma probabilidade maior de câncer de próstata mais agressivo.

"A relação entre a doença e os alimentos fritos pareceu ser limitada ao nível mais alto de consumo, definido neste estudo como mais do que uma vez por semana, o que sugere que consumo regular de alimentos fritos confere risco particular para o desenvolvimento de câncer de próstata" , afirma Stanford.

Substâncias cancerígenas

Os possíveis mecanismos por trás do maior risco de câncer incluem o fato de que, quando o óleo é aquecido a temperaturas adequadas para fritar, compostos potencialmente cancerígenos podem formar-se no alimento frito.

Os compostos cancerígenos incluem acrilamida (encontrado em alimentos ricos em carboidratos, como batatas fritas), aminas heterocíclicas e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (substâncias químicas formadas quando a carne é cozida a altas temperaturas), aldeído (um composto orgânico encontrado no perfume) e acroleína (substância química encontrada em herbicidas).

A concentração desses compostos tóxicos aumenta com a reutilização de óleo e o aumento do tempo de fritura.

Fonte: http://www.isaude.net/pt-BR/noticia/33451/geral/pesquisa-associa-consumo-regular-de-alimentos-fritos-ao-cancer-de-prostata

Detox: moda ? ilusão?


Baixos níveis de vitamina D em crianças associados à gravidade do eczema


A dermatite atópica ou eczema é uma doença de pele alérgica, inflamatória, crônica, não contagiosa e que causa muita coceira. A pele de um paciente com eczema reage anormalmente à substâncias irritantes, alimentos, poeira, ácaros, pólen e outros alérgenos tornando-se vermelha, escamosa e com muito prurido. A pele torna-se também vulnerável a infecções bacterianas.

Nas últimas décadas, eczema tornou-se dramaticamente mais comum, especialmente entre as crianças. Atualmente afeta quase 20% de todas as crianças e até 3% dos adultos nos países industrializados, a sua prevalência nos Estados Unidos sozinho quase triplicou nos últimos 30 anos.

Já escrevi sobre isso antes:

Dear Dr Cannell: Sun exposure, vitamin D, and eczema. Posted on November 17, 2012 by John Cannell, MD: http://blog.vitamindcouncil.org/2012/11/17/dear-dr-cannell-sun-exposure-vitamin-d-and-eczema/
Vitamin D and sun exposure: Eczema update. Posted on September 22, 2012 by John Cannell, MD: /http://blog.vitamindcouncil.org/2012/09/22/vitamin-d-and-sun-exposure-eczema-update/
Dear Dr. Cannell: Allergies. Posted on May 29, 2012 by John Cannell, MD: http://blog.vitamindcouncil.org/2012/05/29/dear-dr-cannell-allergies
Dr. Aysegul Akan e colegas em Ancara, na Turquia, realizaram um interessante estudo de 74 crianças com eczema, cujos níveis médios iniciais de vitamina D foram de cerca de 11 ng/ml. Eles realizaram um estudo transversal, observando vários fatores em apenas um período de tempo.

Akan A, Azkur D, Ginis T, Toyran M, A Kaya, E Vezir, Ozcan C, Ginis Z, Kocabas CN. Níveis de vitamina D em crianças estão correlacionados com a gravidade da dermatite atópica, mas apenas em pacientes com sensibilidade alérgica. Pediatr Dermatol 7 de janeiro de 2013.

Os autores realizaram testes de pele nas crianças para verificar a sensibilização alérgica. E também as agruparam quanto à gravidade do seu eczema como leve, moderada ou grave.

Eles descobriram que em crianças com testes cutâneos positivos, aqueles que foram sensibilizados, níveis de vitamina D são correlacionados inversamente com a gravidade da dermatite atópica, menor o nível de vitamina D pior a eczema. A vitamina D não foi correlacionada com os níveis de IgE total ou percentagem de eosinófilos em nenhum grupo.

Se o seu filho tem eczema, comece a lhe dar vitamina D3, cerca de 1.000 UI para cada 12 quilos de peso corporal por recomendações do Vitamin D Council. Quando você calcular a dose, arredonde para cima; assim uma criança com 13 kg tomaria 2.000 UI/dia, e uma de 25 kg tomaria 3.000 UI/dia. Pode demorar um pouco – vários meses – mas com base nas evidências que temos hoje, o eczema deve melhorar com o tempo.

Fonte (sem tradução) Vitamin D Council

Fonte: http://vitaminad3.wordpress.com/2013/01/27/baixos-niveis-de-vitamina-d-em-criancas-associados-a-gravidade-do-eczema/

Baixos níveis de vitamina D associados à pior resposta ao tratamento em pessoas com HIV e Hepatite C

Uma pesquisa recente diz, as pessoas infectadas com o vírus da hepatite C (VHC) e HIV são
menos propensas a responder à interferon peguilado e ribavirina (PEG/RBV) – um tratamento para VHC – se tiverem baixos níveis de vitamina D.

A deficiência de vitamina D é comum em pessoas com HIV e VHC. A correlação entre os níveis de vitamina D e a resposta ao tratamento PEG/RBV em pessoas co-infectadas não havia sido avaliada até o presente estudo, pelo Vienna HIV & Liver Study Group.

Este grupo de pesquisadores recrutou 65 pessoas com HCV e HIV que tinham registro de biópsia do fígado e dados de resposta virológica. Eles determinaram o status da vitamina D a partir de amostras de sangue armazenadas recolhidas no prazo de 1 mês antes de iniciar a terapia HCV.

Os autores constataram que 20% dos participantes tinham níveis normais de vitamina D (&gt;30 ng/ml), enquanto que 57% estavam insuficientes de vitamina D (10-30 ng/ml) e 23% estavam deficientes em vitamina D (<10 data-blogger-escaped-br="" data-blogger-escaped-ml="" data-blogger-escaped-ng=""> 
Eles relatam que as taxas de resposta virológicas precoces – significando que o VHC não é detectável no sangue após 12 semanas de tratamento – foram significativamente mais freqüentes em pacientes com níveis suficientes de vitamina D (92%) do que naqueles com níveis (insuficientes (68%) ou deficientes 47 %). Os pacientes também foram mais propensos a ter uma resposta virológica sustentada – O VHC não é detectado no sangue 6 meses após a conclusão do tratamento – se estavam suficientes em vitamina D (85%) em comparação com aqueles com insuficiência (60%) ou a deficiência (40% ).

Os autores concluíram,

“Baixos níveis de 25(OH)D podem prejudicar resposta virológica à terapia PEGIFN+RBV, especialmente em pacientes de tratamento dificultado. A suplementação de vitamina D deve ser considerada e avaliada prospectivamente em pacientes HIV-VHC co-infectados que recebem tratamento CHC.”

Referências

Mandorfer M, Reiberger T, Payer B, Ferlitsch A, Breitenecker F, Aichelburg M, Obermayer-Pietsch B, Rieger Am Trauner M, Peck-Radosavljevic M. Low vitamin D levels are associated with impaired virologic response to PEGIFN+RBV therapy in HIV-hepatitis C virus coinfected patients. AIDS. January 2013.

Fonte: http://vitaminad3.wordpress.com/2013/01/30/baixos-niveis-de-vitamina-d-associados-a-pior-resposta-ao-tratamento-em-pessoas-com-hiv-e-hepatite-c/

"Cancerofobia" - Desmistificação do Câncer


1) Os casos de câncer têm aumentado?
Sim, o número de casos dobrará na próxima década, principalmente nos países em desenvolvimento.

2) As pessoas estão mais informadas sobre o assunto?
Não. Elas têm mais acesso a informação, mas só as pessoas que já estão com a doença é que procuram informação. Ainda há uma "cancerofobia" na população.

3) Há casos de recuperação e cura, mais do que antigamente?
De forma muito clara nos países desenvolvidos, mas isso não corresponde à realidade brasileira onde ainda temos muito diagnóstico tardio e falta de acesso a métodos modernos de diagnóstico e tratamento.

4) Há uma forma de prevenir o câncer? Como? Cite alguns exemplos.
Sim. Reduzindo o tabagismo, vacinando contra o HPV e hepatites virais, selecionando pacientes com risco elevado para câncer de mama para serem submetidas à prevenção cirúrgica ou medicamentosa.

5) Quais são os fatores que mais prejudicam a saúde em relação a esse problema?
Tabagismo, exposições ocupacionais, exposição a fatores biológicos de risco.

6) O comportamento das pessoas ajuda a desencadear o problema?
De alguma forma, sim.

7) Pode-se dizer que a hereditariedade e a genética são fatores importantes quando se fala em câncer. E os fatores comportamentais e externos? Também são relevantes?
As duas coisas. Em neoplasia de mama a genética corresponde a 30% dos casos, mas a doença neoplásica (câncer) sempre é plurifatorial. Não há uma causa única, mas a soma de fatores de risco.

8) O estresse do dia a dia, o excesso do trabalho, a falta de tempo para atividade física e a má qualidade da alimentação são fatores que aceleram o problema?
Isso parece se comprovar cada vez mais verdadeiro, embora seja muito difícil quantificar essa influência.

9) Exames de rotina para prevenção são importantes. O que há de novo nesse sentido?
A novidade é a tomografia de cortes finos e baixa dose de radiação no diagnóstico precoce do câncer de pulmão.

10) Tristeza, depressão, fracasso profissional, separação, perda de uma pessoa querida causa câncer?
Não diretamente, mas podem levar a alterações que secundariamente podem contribuir para o surgimento de um câncer.

11) Considerações finais.
Quanto mais informações corretas tivermos e quanto menor o medo em encarar essa doença de frente, maior a chance de conseguirmos diagnósticos precoces e tratamentos mais efetivos.


Autor: Dr. Ricardo Caponero - Médico Oncologista da Clínica de Oncologia Médica, Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Especialização em Oncologia pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clinica (SBOC) e Co-investigador de Pesquisas Clínicas Nacionais e Internacionais Multicêntricas).

Fonte: http://www.nutricaoempauta.com.br/lista_artigo.php?cod=2121

Que tal uma horta em casa?

Para desfrutar de um canteiro de temperos em casa, bastam um cantinho arejado, que receba luz do sol, e alguns vasos-até mesmo quem mora em apartamento pode ter uma horta particular.
A vantagem é a possibilidade de colher os ingredientes pouco antes de irem parar na panela, fresquinhos, com aroma e sabor acentuado.
Fonte: Folha de São Paulo

domingo, 8 de setembro de 2013

Alerta sobre pré-treinos e termogênicos por Dr. Flávio Cadegiani





ALERTA – PRÉ-TREINOS, TERMOGÊNIICOS E A VERDADE SOBRE O CASO “NETINHO” – VALE A PENA LER

POR DR. FLÁVIO CADEGIANI

Os tão difundidos pré-treinos e termogênicos, utilizados para melhora da performance no treino, sensação de bem-estar e aceleração da queima de gordura, aparentemente inofensivos pois são vendidos livremente nos Estados Unidos, escondem uma realidade um pouco diferente e não tão bacana quanto imaginamos.
Primeiramente, não sabemos ao certo o que estes produtos contêm em sua composição. Na descrição dos ingredientes e produtos utilizados para formulação, costumam vir escrito o nome de algum complexo que não explicita o que contem neste complexo. Diversos estudos independentes nos EUA mostraram que entre 20 e 50 por cento destas formulações contém doses consideráveis de androgênios, anfetaminas e outros aceleradores, Ou você acha que aquele “gás” que o C4 ou Jack3d costumam dar vem de doses homeopáticas de plantinhas que nunca fariam mal algum? No ímpeto de associar seu produto a melhores resultados e a sensação de vitalidade e de força, os fabricantes muitas vezes adulteram propositadamente suas fórmulas.

E por que o FDA (Food and Drug Administration, ou a “Anvisa” dos EUA) não age? Pois bem, todos estem produtos, pasmem, são classificados como simples “alimentos” por este órgão, o que os exime de análise prévia para autorizar a venda destes “simples e inofensivos alimentos”. Sim, é uma grande lacuna de qualidade na competência deste órgão americano, e existe um grande movimento para mudar isso, que enfrenta um gigante lobby das indústrias de suplementos (não, lobby não é uma exclusividade brasileira). Portanto, por enquanto, o que é classificado como suplemento e alimento tem de provar que faz mal para ser avaliado, enquanto qualquer novo medicamento, para ser aprovado, tem de provar que não faz mal para ser liberado. Observem a lógica americana.

Ok, mas quais seriam as consequências a curto e longo prazos?

Para contar da primeira consequência, utilizarei um exemplo que atualmente está em voga: o Netinho. Alguns detalhes da história não estão bem esclarecidos. Primeiro, a questão do nódulo hepático. Doses supra-fisiológicas de androgênios, normalmente acima de 06 vezes o nível normal, que se atinge por usuários pesados de androgênios, podem (vejam bem, eu disse podem, porque não há evidência suficiente de que causam, embora a relação seja clara) causar nódulos hepáticos, mas principalmente quando associados a hormônios de cavalo. Só que o cantor em questão tem comorbidades que não cabe dizer aqui que estas sim apresentam por si só um grande risco de lesões hepáticas. Tudo bem, culparam os androgênios que para ele julgaram ser de cunho meramente estético quando na realidade é um tratamento médico, até onde a informação chegou a mim.

Porém, o maior complicador foi a hemorragia que ele apresentou à biópsia hepática. Ora, o risco de hemorragia é inerente ao procedimento. Mas dizem que a hemorragia foi em excesso por culpa da testosterona e derivados que ele vinha utilizando. Aí já é extremamente questionável. Primeiro, os androgênios causam vasodilatação sim, mas em outros locais como músculos. Nada comprova esta vasodilatação na trama hepática. Segundo e mais importante, o uso de androgênios está associado a aumento de risco de TROMBOSE, e não hemorragia, tanto que temos vistos muitos pacientes jovens sem qualquer fator de risco apresentarem AVC. Normalmente, o aumento de risco de trombose vai de encontro ao risco de hemorragia, pois ele rapidamente coagularia impedindo uma perda maior de sangue.

Então, quem poderia causar o sangramento? Sim, os pré-treinos, aceleradores e outros vaso-dilatadores! Estes sim, se consumidos até 30 dias antes do procedimento, aumentam risco de sangramento. Aproveito aqui para sugerir aos pacientes que serão submetidos a procedimentos e a meus colegas médicos que irão realizar procedimentos invasivos, que solicitem a interrupção de qualquer prép-treino ou termogênico ao menos 30 dias antes. E não somente por conta do aumento de risco de sangramento, mas por outro motivo. Mas qual?

Um caso em Recife(PE) chamou atenção quando um adolescente faleceu por causas cardíacas após ingesta de grandes quantidades de Jack 3d, na antiga formulação (não sei a as novas formulações, sem o DMAA, ou dimethilamylamina, serão tão inofensivas assim). Pois então, esse caso explicitou os riscos cardiovasculares associados ao uso exagerado destes produtos. Que aumentam risco de arritmias, infartos e outras descompensações cardíacas. E estudos também sugerem que o uso prévio também aumento o risco trans-operatório de complicações hemodinâmicas. Portanto, evitar de qualquer modo o uso de Jack 3d, C4, 1MR, Hemo-Rage, OxyelitePro, Lipo6Black ou outros nos 30 dias que antecedem qualquer cirurgia.
Mas os riscos não param por aí. Aproximadamente 30% dos usuários crônicos de Jack3d desenvolvem sintomas depressivos, ansiosos ou associados a síndrome do pânico. E provavelmente estes valores são extrapolados para outros produtos. Os sintomas neuro-psiquiátricos costumam perdurar por algum tempo após a interrupção do uso destes suplementos. E muitos tornam-se verdadeiros dependentes destas composições para poder treinar e viver bem. E garanto, o vício não é somente psicológico, mas químico também, devido a substâncias abertamente descritas e principalmente as escondidas e disfarçadas, como disse no início deste alerta.

Alterações de produção de diversos hormônios, como testosterona e GH, aumento do risco de infecções por apresentar imunomodulações, aumento do risco de Síndrome de Fadiga Crônica, aumento do risco de artropatias e de overtraining são só mais alguns dos riscos associados a estes “inofensivos” produtos.
Então tudo isso significa que devemos parar de usar estes produtos? Bem, eu recomendo fortemente o uso máximo de metade da dose preconizada pelo fabricante. Recomendo também a interrupção prévia a cirurgia como já citei, assim como durante a gravidez e amamentação, por falta de segurança em estudos. E sugiro a substituição, de for imprescindível, de uso de substâncias alternativas, como cafeína e taurina, onde sabemos o que estamos utilizando ao certo.

Espero te mostrado um pouco do que há por trás destes maravilhosos termogênicos e pré-treinos que nos deixam tão felizes e empolgados.

Compartilhem este texto, acredito que seja bem esclarecedor.

Um abraço,

Dr. Flávio Cadegiani (CRM-DF 16219 e CREMESP 160.400)
Médico - Endocrinologista
Fellow em adrenal pela UNIFESP