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domingo, 27 de outubro de 2019

A eficácia limitada do Balão-intragástrico quando não se há preocupação com o longo prazo


Muitos pacientes me perguntam se o balão intra-gástrico seria uma opção interessante para o tratamento da obesidade ou até uma alternativa à cirurgia. E a resposta é, na maior parte das vezes, não. Por que? 

👉Basicamente porque, independente da perda de peso obtida durante o período em que o #balaointragastrico está inserido (geralmente 6 meses), como a #obesidade é uma doença crônica, após sua retirada há uma tendência natural de recuperação de peso se não houver uma nova estratégia (por razões biológicas, fisiológicas, psicológicas e sociais, que sempre discuto por aqui). Um estudo Brasileiro de 2015 com mais de 3000 pacientes, mostra que 30% dos pacientes reganharam todo o peso no primeiro ano e 70% após 3 anos. 

👉E mesmo a #perdadepeso durante o período do balão é muito variável, e pode ser otimizada com um bom tratamento clínico, que raramente é realizado. Além disso, vejo muita gente sem indicação (por exemplo, com #compulsaoalimentar ou perfil beliscador clássico) colocando o balão e obtendo resultados mínimos, o que já seria esperado se houvesse uma avaliação clínica inicial. 

👉Particularmente, há sim situações em que ele pode ser usado. O balão uma opção válida em casos específicos, como uma ponte para quem precisa perder peso para uma cirurgia, ou quando há contraindicações a medicações ou pouquíssima resposta com estas em pessoas que têm indicação formal de saúde de perda de peso, porém o paciente deve entender que a colocação do balão é apenas a fase inicial de um processo de longo prazo, seguindo um tratamento clínico mantido (eventualmente com outras estratégias, inclusive medicamentosas). 

👉Infelizmente, a maioria das pessoas que o colocam o fazem como um processo que julgam resolutivo e comparável à cirurgia. Em geral se introduz o balão e o retira 6 meses depois, sem nenhum acompanhamento antes (para decidir indicações), durante (para otimizar o tratamento) e depois (para evitar o reganho) 

👉Ou seja, o balão intra-gástrico só será útil se for usada como parte inicial de uma estratégia de longo prazo bem definida, o que vejo que raramente é o caso! 

Ref: Busko, Brazil Study: gastric balloon valid option but outcomes not durable. Medscape2015

Autor: Dr. Bruno Halpern - Médico Endocrinologista

Fonte: https://www.facebook.com/DrBrunoHalpern/photos/a.614298932033894/1659459410851169/?type=3&theater

domingo, 21 de abril de 2019

Tratamento medicamentoso da obesidade off-label


Agora que a série do Dr. Bruno Halpern finalizou, vamos começar a fazer sobre as medicações utilizadas no tratamento de obesidade porém, que são de uso Off-label. Ou seja, não tem indicação formal (em bula) para tratamento da obesidade, mas que promovem uma de peso, de leve a moderada.

Quais são elas:

  1. Bupropiona com naltrexona: Contrave (USA) e no Brasil prescrevendo Bupropiona (Welbutrim, Bup, Bupium) com Naltrexona (manipulado pq infelizmente não tem a dose pronta na indústria)
  2. Topiramato: Videmax, Topit, Amato
  3. Fluoxetina e outros antidepressivos como Sertralina, Desvelafaxina, Fluvoxamina
  4. Lisdexanfetamina: Venvanse
  5. Metformina

Ao longo das próximas semanas abordaremos cada um deles. 

terça-feira, 16 de abril de 2019

Da série: Fármacos anti-obesidade: Liraglutida (por Dr. Bruno Halpern)


Dando seguimento na série sobre medicações aprovadas no Brasil para a obesidade, hoje é a vez da liraglutida.

Muitos ainda tem a visão errônea de que é uma medicação para diabetes usada para obesidade: embora de fato a liraglutida, na dose de até 1,8mg esteja aprovada para tratamento do diabetes tipo 2, ela passou por todos os passos que uma medicação nova passaria antes de ser aprovada para obesidade, e, ao mostrar-se eficaz e segura, foi aprovada para obesidade, numa dose maior:3,0mg.

Sua ação se dá principalmente na regulação da fome, saciedade, plenitude e desejos por alimentos, sem afetar o prazer, de forma que a perda de peso ocorre pela redução do consumo de calorias.

Dentre as medicações atualmente aprovadas no Brasil, ela é a que leva, na média, à maior perda de peso: entre 6-8kgs, nos estudos clínicos. 1/3 das pessoas atingem a boa marca de 10% do peso perdido e 15% atingem 15% de peso perdido, que é um resultado muito bom.

Em relação à segurança: há estudos longos que comprovam a segurança no longo prazo. Pode ser usada por pessoas em uso de medicações psiquiátricas; tem um perfil de ação cardiovascular extremamente seguro (em diabéticos com risco cardiovascular alto, a liraglutida inclusive reduz o número de eventos cardiovasculares, ou seja, protege) e os efeitos colaterais graves são muito raros. A maior queixa, por parte dos pacientes, são as náuseas e mal-estar que podem ocorrer no início do tratamento, mas alguns pacientes podem tem por maior tempo, atrapalhando o uso.

Outro problema é o custo, ainda inacessível para parte da população.

Hoje a liraglutida é a melhor opção para tratamento da obesidade; lembro porém, que a resposta é variada: há pessoas que respondem bem, e outras não; e nem sempre a melhor opção do mercado seja a melhor opção para uma pessoa específica. Há pessoas que vão bem com uma medicação e mal com outra, e somente um bom acompanhamento clínico pode determinar qual a melhor opção individualmente.

Sempre só usar medicação com prescrição médica e acompanhamento.

E sempre reforço: medicação não substitui a dieta e exercício, e sim aumenta a efetividade dos mesmos!