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sexta-feira, 24 de julho de 2020

Check-list no processo de emagrecimento

Então bora fazer um check list no processo de emagrecimento? Checar item por item e tentar descobrir onde está um possível interferente no processo. É assim que todo nutrólogo deveria agir e não apenas culpar o paciente. É assim que tento fazer nos meus atendimentos. Esse Check-list que elaborei com auxílio do meu nutricionista (Rodrigo Lamonier) é muito útil. Na verdade essa é parte do check-list, há outras variáveis que checamos.

Culpar o paciente é fácil. Identificar os erros e tentar mudá-los é que é difícil. 

Tratamento de emagrecimento exige empatia. A falta de empatia é que tem tirado pacientes com sobrepeso e obesos de Nutricionistas e Endocrinologistas e levado-os a procurar Nutrólogos.



sexta-feira, 17 de julho de 2020

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Como evitar o ganho de peso na quarentena e fazer dela um momento menos doloroso



Estamos vivendo a maior crise sanitária do século. A Pandemia do novo coronavírus confinou milhões de pessoas em seus lares e isso obviamente afetaria a nossa saúde em todos os seus âmbitos (mental e físico).

Se por um lado vemos uma explosão do número de casos de Transtorno de Ansiedade Generalizada, Depressão, Pânico e descompensação de outras psicopatologias. Nós da Nutrologia vimos uma ascensão do peso de vários dos nossos pacientes. 


De Abril até Julho contabilizei que cerca de 80% dos pacientes atendidos no ambulatório de Nutrologia no SUS apresentaram ou ganho de peso ou manutenção do peso, comparado a antes da pandemia. 

Mas, por que isso está acontecendo ?

Uma pandemia no qual a doença tem alta transmissibilidade e uma mortalidade de até 7% em alguns locais, dificilmente não afetaria o nosso psicológico. 

Razão 1: Foi abrupto

Não tivemos tempo para se adaptar à quarentena. Quando vimos, a maioria das cidades entraram em quarentena e aqui em Goiás foi bem precoce, começo de Abril já estávamos confinados. 

Razão 2: Consequências psicológicas

O início ter sido abrupto, gerou consequências psicológicas. Aumento de sintomas ansiosos, apreensão com relação ao futuro, medo da escassez, medo de uma crise econômica que seria e é inevitável. Tudo isso abala o nosso psicológico, é desconfortável e quando somos submetidos a esse tipo de estresse temos escapes.

Razão 3: O estresse combinado à ociosidade como gatilho para maior ingestão alimentar

Sabidamente, muitas pessoas diante de situação estressante reagem com aumento do apetite. Umas perdem, mas uma boa parcela tem aumento do apetite. Um aumento de cortisol bem como de adrenalina pode levar a alterações no centro da fome e da saciedade. O Cortisol reduz a lipólise (quebra da gordura), aumenta a proteólise (quebra de proteínas). Piora o controle glicêmico e pressórico. Reduz os níveis de serotonina, dopamina, beta-endorfinas e testosterona. Pode levar a alterações no sono e transtornos do humor. A persistência dessa elevação do cortisol, consequentemente pode favorecer o ganho de peso. Não é incomum atendermos pacientes que por mais que sigam o plano alimentar à risca (além de atividade física), quando submetidos a situações estressantes relatam que o peso não decai ou mantém-se estagnado. E quando utilizamos ansiolíticos o peso volta a decair. 

A ociosidade é um outro fator que tenho visto como facilitador para o ganho de peso. O indivíduo que antes acordava, pegava o trânsito, trabalhava, depois almoçava, voltava pro trabalho, pegava filhos na escola, preparava jantar e ia dormir quase 00:00, se viu obrigado a ficar confinado em casa, sentado no sofá ou trabalhando em "home-office". A combinação de ociosidade, sofá, ansiedade, apreensão com relação ao futuro e medo não teria outro destino que não fosse o abre e fecha da geladeira. Para alguns o abre e fecha dos apps de entrega de comida. 

Os nossos neurotransmissores são formados à partir de aminoácidos, em especial triptofano, fenilalanina, tirosina, glicina, acido glutâmico. Tendo como co-fatores para a sua síntese minerais e vitaminas. Quando se come, nos sentimos bem, por favores mecanismos que envolvem a percepção do sabor, inibição do centro da fome, ativação de peptídeos que ativarão a saciedade, sensação de prazer por produção de endorfinas e também maior entrada tardiamente de aminoácidos no cérebro, para a produção de neurotransmissores como dopamina e serotonina. Logo, forma-se um sistema que gera boas sensações e pelo menos momentaneamente reduz a ansiedade. 

Razão 4: Piora da pandemia do sedentarismo

Se a humanidade estava cada vez mais sedentária, ou seja, se já existia a pandemia de sedentarismo, com a pandemia do novo coronavirus isso só se agravou com o confinamento. Academias foram fechadas, lockdown em algumas regiões, medo de contágio, distanciamento social e um movimento: "FiqueEmCasa. Com isso o nosso gasto energético reduziu, combinado com um maior aporte calórico.

Resumindo: Medo + Ansiedade + Ociosidade + Sedentarismo + Maior oferta calórica + Piora do sono = Ganho de peso.

Mas há solução ? 

Primeiramente, o que tenho falado para os meus pacientes é: Vivemos um momento único em nossa existência, delicado e temos que ter compaixão com nós mesmos. Não se cobrar tanto. 

Não é o fim do mundo, ter ganhado alguns kilos. O mundo não vai acabar por conta desse ganho. Tudo isso passará e acredito que em alguns meses voltaremos a ter academias abertas, liberdade de ir e vir, locais com opções mais saudáveis para se comer. 

Soluções que na minha opinião podem ser úteis.

Sedentarismo

Estar em casa não é e nem nunca será desculpa para não praticar atividade física. Com a pandemia acabei descobrindo que existem inúmeros profissionais da educação física que criam treinos para se fazer em casa. Treinos aeróbicos e de força. E o melhor, eles vendem essas assessoria online. Mas se você não quer pagar, tem também no YouTube e Apps. Apenas digo: cuidado com as articulações na hora de executar os movimentos. 

Ociosidade

Aproveite seu tempo livre para realizar outras atividades que geram prazer (que não seja comer):

  1. Ler aquele livro que há tempos você estava planejando
  2. Assistir séries e documentários
  3. Assistir vídeos no YouTube
  4. Fazer cursos online (gratuitos ou lives)
  5. Assistir live de cantores, de profissionais etç
  6. Arrumar a casa e doar o que não é mais útil para você
  7. Conversar com amigos
  8. Ouvir músicas
  9. Cantar suas musicas prediletas
  10. Montar playlist
  11. Fazer artesanatos
  12. Fazer origamis
  13. Pintar, desenhar
  14. Estudar
  15. Cuidar de plantas
  16. Brincar com seus filhos
  17. Auxiliar os filhos nas tarefas escolares
  18. Brincar com seus animais
  19. Meditar
  20. Orar
  21. Contemplar a natureza
  22. Redecorar a casa
  23. Planejar viagens e coisas que você quer fazer quando tudo isso passar
  24. Escolhas alimentares

Há diversos Nutrólogos e Nutricionistas que estão atendendo online (essa modalidade foi permitida pelo Conselho Federal de Medicina e pelo de Nutrição, durante a pandemia). Ou seja, dá para se ter uma supervisão à distância. 

Não é porque estamos de quarentena que temos a obrigação de comer apenas alimentos altamente palatáveis. Devemos prezar pelo sabor, mas também levar em conta a densidade calórica da refeição (alimentos gordurosos e ricos em açúcar são mais calóricos), a densidade nutricional (a quantidade de nutrientes na refeição) e o quanto aquela refeição é capaz de te saciar. 

Tenho visto vários pacientes deixando de comer hortaliças na quarentena por conta da proibição de feiras livres. Dica: supermercados estão abertos. Proteja-se e vá as compras. Uma pequena listinha de hortaliças que você pode comprar, armazenar na sua geladeira e fazer deliciosas receitas:

Esta é uma Lista de hortaliças  que entrego sempre para os meus pacientes:
Abóbora
Abobrinha
Acelga
Agrião
Aipo (ou salsão)
Alcachofra
Alface
Alfafa
Almeirão
Aspargo
Alho
Alho poró (Allium porrum)
Berinjela
Bertalha (Basella rubra)
Brócolis
Cebola
Cebola-roxa
Chicória
Chuchu (Sechium edule)
Couve
Couve-de-bruxelas
Couve-flor
Endívia
Espinafre
Feijão e ervilha
Brotos de feijão
Fava
Lentilha
Feijão
Grão de bico
Soja
Vagem
Jiló
Maxixe
Milho
Pepino
Pimentão
Pimenta
Quiabo
Ora-pro-nóbis
Batata inglesa
Batata-doce
Beterraba
Cenoura
Gengibre
Inhame
Mandioca ou aipim (Manihot esculenta)
Mandioquinha ou batata-baroa
Nabo
Rabanete
Repolho
Rúcula
Tomate

Lembre-se de ter uma quantidade adequada de proteínas em todas as refeições. Elas promovem maior saciedade e ajudam a evitar a perda de músculos.

Está com dificuldade de consumir saladas? Talvez o problema seja os molhos que não estão gostosos. Há inúmeras receitas de molhos na internet, se você não encontrar, pode me pedir que envio. Tenho um grande acervo com mais de 1500 receitas de refeições.

Lembre-se que não é crime ingerir sobremesas e até mesmo alimentos industrializados ou demonizados por alguns profissionais. Tudo é questão de:

  1. Frequência
  2. Quantidade
  3. Contexto 
  4. E se você possui alguma particularidade (doenças).

Tente seguir o plano alimentar a maior parte do tempo e se "escorregar' lembre-se que isso é normal, só não pode tornar-se um hábito. No meu e-book de Mindfull eating, friso muito que o meu paciente pode cair várias vezes, mas caiu deve levantar e sem se culpar. 

Como disse acima, vivemos a maior crise sanitária dos últimos tempos e você vai se alimentar com culpa ? Culpa não serve para nada, não tem função. 

Planejamento

Que tal começar a lista de coisas para fazer na quarentena de maneira organizada?  Casou de não fazer nada e quer começar a produzir ? Está se culpando pelo seu ócio ?

Culpa não serve para nada, já disse ali em cima. Cada um tem seu tempo. Você não tem obrigatoriedade de ser hiper produtivo (a) durante a pandemia. Mas se a ociosidade está te incomodando, bora planejar algo. 

Quando colocamos no papel o que queremos fazer, tiramos do mundo das idéias e transformamos em algo material: palavras escritas. Portanto: liste o que você pretende fazer. 

Se você se planejar, dá para você cumprir com as responsabilidades diárias, ter um tempinho para se distrair e divertir na quarentena. É a melhor forma de aproveitar o tempo e minimizar o sofrimento pelo qual estamos passando. 

É claro que você não precisa cronometrar quanto tempo fará cada atividade, mas é interessante organizar a rotina para distribuir melhor a lista de coisas para fazer na quarentena.

Autor: Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13192 | RQE 11915

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O processo de emagrecimento - Parte II

Essa é uma outra imagem que utilizo na primeira consulta (de processos de emagrecimento definitivo) para explanar para os pacientes alguns fatos cruciais no processo de emagrecimento. Não ainda se iludir e achar que é um caminho fácil. Não é impossível, mas requer dedicação por toda a vida, Vigilância eterna.



sexta-feira, 3 de julho de 2020

O processo de emagrecimento - Parte I

Essa é a imagem que utilizo logo no começo das consultas de emagrecimento. Com ela consigo explicar pro paciente de forma simplificada o processo de emagrecimento e quais são as variáveis que influenciam no metabolismo


terça-feira, 12 de maio de 2020

Dieta da Adele - a nova dieta da moda (Sirtfood diet)


Sempre que algum artista aparece nas redes sociais com alguns kilos a menos, a mídia começa a a divulgar a dieta como algo inovador e milagroso. Está sendo assim com a Sirtfood. A mídia  britânica acredita que a foi essa a dieta adotada por Adele e que favoreceu uma perda significativa de peso.

Antes de dar seguimento ao texto, vale a pena uma reflexão. Ao postar no instagram a sua foto com o novo formato de corpo, a cantora foi bombardeada de julgamentos:
"- Magra demais"
" -Ficou feia"
"-Ficou linda".


Esse tipo de julgamento não deve ser expresso, é feio, é ridículo na verdade. Nossa opinião sobre o peso alheio não deve ser emitida, ao menos que o indivíduo te questione. O que importa é que Adele é uma excelente cantora, muito premiada e que produz músicas excelentes. Consegue expressar através das suas composições as dores vivenciadas em relacionamentos. 

Adele ao emagrecer, mais do que ter perdido gordura, ganhou saúde. Mas lembre-se, estar com o peso ideal não é sinônimo de saúde. Atendo quase que diariamente, pessoas bem enfermas e que estão com aparência ótima. Assim como atendo pacientes com sobrepeso ou obesidade grau I mas que não apresentam alterações laboratoriais e que são fisicamente muito ativos. Ou seja, indivíduos que clinicamente são mais saudáveis que aqueles enfermos com peso adequado. 

A clínica é soberana. Se o paciente é obeso e apresenta sinais e sintomas decorrentes da obesidade, tem dificuldade para realização das atividades de vida diária, nesse caso a obesidade deve ser tratada. E se o paciente está obeso mas é assintomático e tem exames laboratoriais normais, a conduta do médico obrigatoriamente deve ser, de forma ética, orientar sobre os perigos/riscos da obesidade e especificar hábitos salutares de vida que podem promover uma melhor qualidade de vida.

Jamais por estética. Jamais para enquadrar uma pessoa em um corpo socialmente aceito. Bato sempre nessa tecla no consultório. Isso é Nutrologia. Qualquer coisa fora disso, pautada em aspectos estéticos, deve ser rechaçada, visto que pode favorecer transtornos alimentares. 

Atividade física deve ser feita não para emagrecimento, mas sim pelos inúmeros ganhos que se tem ao ser um indivíduo fisicamente ativo. 

Mas afinal, o que é a Sirtfood Diet ou Dieta das Sirtuínas?

No vídeo abaixo, meu colega Guilherme Giorelli (Médico Nutrólogo e Médico do Esporte) explica de forma sucinta no que se baseia a dieta e faz alguns ponderações interessantes. Vale a pena assistir.



A cantora não emagreceu de uma hora para outra. Pelo que foi relatado pelos tablóides britânicos, a mesma vem passando por um longo processo de emagrecimento e isso já tem alguns anos. 

Ou seja, existe todo um caminho trilhado por trás da foto (postada por ela) que rodou o mundo durante a pandemia do novo coronavírus. 

A Sirtfood é uma dieta extremamente restrita, na qual prioriza-se alimentos ricos em polifenóis, que sinalizam as células através das sirtuínas (também ativadas pela baixa ingestão calórica).

Mas o que são Sirtuínas ? 

As Sirtuínas (SIRTs) são um grupo de enzimas encontradas em diferentes compartimentos das células, que desempenham papéis importantes, A restrição calórica por exemplo, estimula as sirtuínas, que são capazes de levar o organismo a melhorar a sua eficácia no processo de emagrecimento, além de favorecer a transformação da gordura amarela em gordura marrom, que é mais termogênica. 

Os alimentos que estimulam as sirtuínas são os ricos em polifenóis, uma espécie de "veneninhos benéficos" que as plantas produzem, para se defender de agentes estressores. E quais seriam esses alimentos?
  • Vinho tinto (rico em resveratrol) ou suco de uva
  • Café: ácido clorogênico
  • Cacau: catequinas
  • Chá verde: epigalocatequinas
  • Cebola, limão, rúcula, salsa, couve: quercetina
  • Frutas vermelhas escuras: antocianinas
  • Erva levístico
  • Cúrcuma (açafrão): curcumina
  • Azeite de oliva
  • Trigo sarraceno
Nesse dieta o paciente segue um cardápio de baixas calorias, que naturalmente auxilia no processo de emagrecimento. A dieta é dividida em três momentos:
  • O primeiro dura três dias e envolve o consumo de até mil calorias diárias, com ingestão de fibras, além de receitas como o suco verde, que aumenta a saciedade;
  • No segundo, devem ser consumidas até 1,5 mil calorias diariamente por quatro dias, mantendo as fibras e o suco verde;
  • Após esses dois momentos, entra-se na etapa de manutenção, que não define um limite de ingestão calórica e passa a incluir mais os alimentos in natura. Concluído esse processo, os criadores da Sirtfood sugerem seguir usando os ativadores das sirtuínas na alimentação. Incluindo, claro, as fibras e o suco verde.
Ou seja, como se vê, é uma dieta hipocalórica, que provavelmente se feita sem acompanhamento com profissional sério (seja ele nutrólogo ou nutricionista), pode acarretar perda de massa muscular e massa óssea. 

domingo, 27 de outubro de 2019

A eficácia limitada do Balão-intragástrico quando não se há preocupação com o longo prazo


Muitos pacientes me perguntam se o balão intra-gástrico seria uma opção interessante para o tratamento da obesidade ou até uma alternativa à cirurgia. E a resposta é, na maior parte das vezes, não. Por que? 

👉Basicamente porque, independente da perda de peso obtida durante o período em que o #balaointragastrico está inserido (geralmente 6 meses), como a #obesidade é uma doença crônica, após sua retirada há uma tendência natural de recuperação de peso se não houver uma nova estratégia (por razões biológicas, fisiológicas, psicológicas e sociais, que sempre discuto por aqui). Um estudo Brasileiro de 2015 com mais de 3000 pacientes, mostra que 30% dos pacientes reganharam todo o peso no primeiro ano e 70% após 3 anos. 

👉E mesmo a #perdadepeso durante o período do balão é muito variável, e pode ser otimizada com um bom tratamento clínico, que raramente é realizado. Além disso, vejo muita gente sem indicação (por exemplo, com #compulsaoalimentar ou perfil beliscador clássico) colocando o balão e obtendo resultados mínimos, o que já seria esperado se houvesse uma avaliação clínica inicial. 

👉Particularmente, há sim situações em que ele pode ser usado. O balão uma opção válida em casos específicos, como uma ponte para quem precisa perder peso para uma cirurgia, ou quando há contraindicações a medicações ou pouquíssima resposta com estas em pessoas que têm indicação formal de saúde de perda de peso, porém o paciente deve entender que a colocação do balão é apenas a fase inicial de um processo de longo prazo, seguindo um tratamento clínico mantido (eventualmente com outras estratégias, inclusive medicamentosas). 

👉Infelizmente, a maioria das pessoas que o colocam o fazem como um processo que julgam resolutivo e comparável à cirurgia. Em geral se introduz o balão e o retira 6 meses depois, sem nenhum acompanhamento antes (para decidir indicações), durante (para otimizar o tratamento) e depois (para evitar o reganho) 

👉Ou seja, o balão intra-gástrico só será útil se for usada como parte inicial de uma estratégia de longo prazo bem definida, o que vejo que raramente é o caso! 

Ref: Busko, Brazil Study: gastric balloon valid option but outcomes not durable. Medscape2015

Autor: Dr. Bruno Halpern - Médico Endocrinologista

Fonte: https://www.facebook.com/DrBrunoHalpern/photos/a.614298932033894/1659459410851169/?type=3&theater

domingo, 21 de abril de 2019

Tratamento medicamentoso da obesidade off-label


Agora que a série do Dr. Bruno Halpern finalizou, vamos começar a fazer sobre as medicações utilizadas no tratamento de obesidade porém, que são de uso Off-label. Ou seja, não tem indicação formal (em bula) para tratamento da obesidade, mas que promovem uma de peso, de leve a moderada.

Quais são elas:

  1. Bupropiona com naltrexona: Contrave (USA) e no Brasil prescrevendo Bupropiona (Welbutrim, Bup, Bupium) com Naltrexona (manipulado pq infelizmente não tem a dose pronta na indústria)
  2. Topiramato: Videmax, Topit, Amato
  3. Fluoxetina e outros antidepressivos como Sertralina, Desvelafaxina, Fluvoxamina
  4. Lisdexanfetamina: Venvanse
  5. Metformina

Ao longo das próximas semanas abordaremos cada um deles. 

Da série: Fármacos anti-obesidade: Lorcaserina (por Dr. Bruno Halpern)


Essa é a última postagem da série das medicações aprovadas para obesidade no Brasil, sobre a lorcaserina. 

De fato, por ainda não estar disponível, só posso discutir o que os estudos clínicos mostram (notem que há farmácias de manipulação que alegam produzir lorcaserina, mas não há como garantir a procedência e qualidade desse produto, visto que ele tem patente e não viria da fábrica original). 

A lorcaserina é uma medicação de potência modesta, aparentemente inferior ao que se vê com liraglutida ou sibutramina é similar ao orlistate: média de perda de peso ao redor de 3-4kgs. Porém, existe um grupo de pessoas de 22% capaz de perder mais de 10% do peso (e metade perde mais do que 5%). 

Assim, quando a medicação chegar será importante reconhecer quem são esses respondedores! Acredita-se que pode agir sobre o comer emocional., mas também aumenta a saciedade por agir no cérebro nas vias da serotonina.

Talvez o principal ponto alto da lorcaserina seja a segurança: poucos efeitos colaterais nos estudos, não mexe com pressão e frequência e já existe um estudo que demonstrou que não há risco aumentado de eventos cardiovasculares. Assim, ela passa a ser uma opção para aqueles pacientes que não respondem, não toleram ou não podem tomar outras medicações.

Há também hipóteses de que a medicação tenha efeitos de redução da glicemia próprios, mas isto ainda é estudado, além de já ter sido estudada até para cessação do tabagismo.
Vale a pena lembrar o cuidado do uso com outras medicações de ação semelhante, em vias de serotonina (caso de muitos antidepressivos), pois pode potencializar alguns efeitos.

É possível que após a medicação iniciar a ser comercializada, possamos perceber mais algumas vantagens e desvantagens que nem sempre ficam claras em estudos clínicos. Vou referenciar um artigo meu, com meu pai, que discutiu segurança da lorcaserina e do orlistate: Halpern, Halpern. 

Safety assessment of FDA-approved (orlistat and lorcaserin) anti-obesity medications. Expert Opin Dru Saf 2014

terça-feira, 16 de abril de 2019

Da série: Fármacos anti-obesidade: Liraglutida (por Dr. Bruno Halpern)


Dando seguimento na série sobre medicações aprovadas no Brasil para a obesidade, hoje é a vez da liraglutida.

Muitos ainda tem a visão errônea de que é uma medicação para diabetes usada para obesidade: embora de fato a liraglutida, na dose de até 1,8mg esteja aprovada para tratamento do diabetes tipo 2, ela passou por todos os passos que uma medicação nova passaria antes de ser aprovada para obesidade, e, ao mostrar-se eficaz e segura, foi aprovada para obesidade, numa dose maior:3,0mg.

Sua ação se dá principalmente na regulação da fome, saciedade, plenitude e desejos por alimentos, sem afetar o prazer, de forma que a perda de peso ocorre pela redução do consumo de calorias.

Dentre as medicações atualmente aprovadas no Brasil, ela é a que leva, na média, à maior perda de peso: entre 6-8kgs, nos estudos clínicos. 1/3 das pessoas atingem a boa marca de 10% do peso perdido e 15% atingem 15% de peso perdido, que é um resultado muito bom.

Em relação à segurança: há estudos longos que comprovam a segurança no longo prazo. Pode ser usada por pessoas em uso de medicações psiquiátricas; tem um perfil de ação cardiovascular extremamente seguro (em diabéticos com risco cardiovascular alto, a liraglutida inclusive reduz o número de eventos cardiovasculares, ou seja, protege) e os efeitos colaterais graves são muito raros. A maior queixa, por parte dos pacientes, são as náuseas e mal-estar que podem ocorrer no início do tratamento, mas alguns pacientes podem tem por maior tempo, atrapalhando o uso.

Outro problema é o custo, ainda inacessível para parte da população.

Hoje a liraglutida é a melhor opção para tratamento da obesidade; lembro porém, que a resposta é variada: há pessoas que respondem bem, e outras não; e nem sempre a melhor opção do mercado seja a melhor opção para uma pessoa específica. Há pessoas que vão bem com uma medicação e mal com outra, e somente um bom acompanhamento clínico pode determinar qual a melhor opção individualmente.

Sempre só usar medicação com prescrição médica e acompanhamento.

E sempre reforço: medicação não substitui a dieta e exercício, e sim aumenta a efetividade dos mesmos!

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Da série: Fármacos anti-obesidade: Sibutramina (por Dr. Bruno Halpern)

O Dr. Bruno Halpern, endocrinologista e referência no tratamento e pesquisa da obesidade no Brasil, recentemente começou uma série de postagens sobre os fármacos anti-obesidade.

Há muito preconceito em cima das medicações e muitos mitos como por exemplo: se parar de tomar engorda tudo novamente.

É muito fácil leigos opinarem sobre o assunto quando não possuem experiência no tratamento da obesidade. Nesses 5 anos a frente do ambulatório de Nutrologia, foram mais de 4 mil pacientes atendidos e em sua maioria obesos. Os resultados no tratamento apenas com mudanças de estilo de vida são desanimadores. Menos de 10% dos pacientes conseguem realmente emagrecer (perder gordura) e sustentar essa perda após 2 anos, apenas com adoção de dieta hipocalórica e prática diária de atividade física.

Há casos de sucesso? Sim, tenho inúmeros. Mas sejamos francos, 90% vai “fraquejar” e é aí que entram as medicações anti-obesidade. Temos no Brasil um arsenal ainda limitado, seja por não-liberação da ANVISA, seja pelo custo alto.

Portanto achei louvável essa iniciativa do Prof.Dr. Bruno Halpern, para desmistificar o uso das medicações para emagrecimento.

Apenas um adendo: virou moda nutricionista querer prescrever MEDICAMENTO para obesidade. Nutricionista não tem permissão para prescrição de qualquer medicamento. Ou seja, cabe denúncia junto ao Conselho Regional de Nutrição. Nas últimas 3 semanas meu nutricionista recebeu 3 prescrições de medicamentos feito por nutricionistas em conchavo com farmácias de manipulação. 

Att.

Dr. Frederico Lobo



A sibutramina é um medicamento para tratamento da obesidade bastante controverso, por isso a importância de uma postagem para explicar os benefícios e os riscos

Ao contrário do que muitos pensam, ela não é um “inibidor do apetite”; ela aumenta a saciedade, por ações no cérebro, fazendo com que, ao comermos menos, possamos ficar satisfeitos por mais tempo. Ou seja, ela ajuda a dieta, mas tem pouco efeito em quem não se engaja em uma. Ao mesmo tempo, ela pode impedir parcialmente a redução de gasto energético que ocorre quando emagrecemos.

A resposta média é entre 4-5 kgs nos estudos, mas há bons e maus respondedores: 28% perdem mais que 10% do peso.

E quais os riscos? A maior preocupação com a sibutramina é o aumento de frequência cardíaca e pressão que pode ocorrer em alguns indivíduos, portanto é contra-indicada para quem tem a pressão descontrolada ou risco aumentado de doenças cardiovasculares.

Para quem não tem riscos, a preocupação é menor, até porque a perda de peso em si por vezes reduz a pressão, mas ainda assim é importante medir pressão e frequência de vez em quando.

Outra preocupação é com o uso concomitante de outras medicações de ação no cérebro, ou algumas doenças psiquiátricas, pois pode influenciar no tratamento. Não chega a ser sempre uma contra-indicação, mas é preciso cuidado.

Algo que vejo com frequência é pessoas falarem mal da sibutramina baseado em experiências com fórmulas manipuladas: muitas vezes, os efeitos colaterais vieram da combinação de diversas substâncias, mas é a sibutramina que leva a fama!

Ou seja, a sibutramina é uma opção viável para tratamento responsável da obesidade, com menos colaterais que muitos pensam, mas alguns cuidados são sempre importantes!

Sempre sob prescrição médica. 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Mudanças no metabolismo induzidas pela perda de peso

Um dos principais efeitos da perda de peso, seja ela induzida por dieta, exercício ou cirurgia, é a redução do metabolismo basal ou taxa metabólica de repouso que representa a quantidade mínima de energia necessária para manutenção das atividades vitais do organismo em repouso.

O metabolismo basal corresponde a aproximadamente 2/3 do gasto calórico diário de um indivíduo e pode variar conforme a idade, existindo uma redução aproximada de 1% a cada década de vida, o sexo, sendo maior em homens do que em mulheres, e principalmente conforme a quantidade de massa muscular de um indivíduo.

Os demais componentes do nosso gasto calórico diário referem-se à energia gasta para a digestão dos alimentos, também conhecida como termogênese relacionada à dieta, e ao gasto calórico relacionado ao exercício, conforme didaticamente ilustrado na figura abaixo, com os percentuais correspondentes de cada componente.



Um estudo interessante demonstrou que a manutenção de um peso 10% abaixo do peso inicial resultou em uma redução de 8 kcal para cada kg perdido no metabolismo basal. Isto significa que um indivíduo que pesava inicialmente 100 kg e conseguiu reduzir o seu peso para 90 kg (redução de 10% do peso inicial) apresenta uma redução aproximada de 80 kcal no seu metabolismo basal.

Este declínio no metabolismo descrito em indivíduos submetidos a tratamentos para perda de peso favorece a recuperação do peso, sobretudo porque permanece suprimido no longo prazo, mesmo após o término da intervenção para perda de peso.

E porque este declínio ocorre? Bom, quando começamos a reduzir o peso, uma série de adaptações hormonais e metabólicas são ativadas numa tentativa de "proteger" o organismo de um estado de privação importante de comida. Mudanças na composição corporal, levando a perdas significativas da massa muscular, bem como reduções importantes dos níveis de leptina, hormônio produzido pelo tecido adiposo, responsável também por modular o gasto energético contribuem para esta queda. Dessa forma, a redução do metabolismo de repouso dificulta o emagrecimento à medida em que continuamos perdendo peso.

Outro estudo bastante interessante mostrou o impacto das diferentes intervenções para perda de peso (dieta x exercício x terapia farmacológica ou cirurgia) sobre o metabolismo de repouso.
Os resultados mostraram uma redução do metabolismo de aproximadamente 15 kcal para cada kg perdido, sem diferença entre homens e mulheres, quando todas as intervenções foram analisadas conjuntamente.

Conforme mostrado na figura a seguir, quando as intervenções foram avaliadas separadamente, a dieta resultou em maior queda do metabolismo basal, de 18 kcal para cada kg de peso perdido, quando comparada a todas as demais.



A combinação da restrição calórica associada a exercícios regulares resultou em menores reduções no metabolismo basal quando comparada à dieta isoladamente. Uma das explicações para esta diferença é a maior preservação da massa muscular induzida pelo exercício durante restrições calóricas impostas pela dieta. 
Em síntese, embora o exercício isoladamente não seja uma estratégia eficaz para perda de peso, a combinação do exercício durante a perda de peso induzida pela dieta minimizará a redução do metabolismo basal, componente importante do gasto calórico total! O entendimento dessas alterações adaptativas desencadeadas pelo emagrecimento bem como o acompanhamento regular com uma equipe multidisciplinar, incluindo médico endocrinologista, nutricionista e educador físico, ajudará na obtenção de melhores resultados durante e após intervenções para a perda de peso! 

Referências:
1. Relative changes in resting energy expenditure during weight loss: a systematic review. Obesity Reviews (2010) 11, 531–547.
2. Changes in energy expenditure resulting from altered body weight. N Engl J Med 1995; 332: 621–628.

Autora: Dra. Milene Moehlecke
Médica Endocrinologista
CREMERS 33.068 - RQE 25.181
http://www.endocrinologistamilene.med.br

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Número de refeições por Dr. Bruno Halpern


Nessa foto, de uma aula dada em recente congresso, mostro os dados de número de refeições dos americanos nas últimas décadas. 

Basicamente, o número de refeições (em que se incluem lanches intermediários) aumentou muito, junto com o aumento da obesidade. 

O interessante é que embora os lanches tenham aumentado, a quantidade de calorias nas refeições principais não se reduziu. Embora esses sejam dados epidemiológicos, e portanto não é possível concluir causa e efeito, é um bom modelo natural que mostra que aumentar o número de lanches não é, por si só, uma estratégia efetiva para reduzir calorias ao longo de um dia. 

O autor sugere que não mais comemos por questões de fome e saciedade, e sim por prazer e disponibilidade constante de alimentos. 

Na aula, mostrei mais exemplos, de estudos feitos exatamente para isso, que não há evidências para se recomendar fracionamento de refeições como estratégia efetiva para perda de peso. 

É claro que é preciso individualizar, e existem perfis que de fato necessitam comer mais vezes, mas a recomendação de “comer de 3/3 horas” pode mais atrapalhar do que ajudar em inúmeros casos. 

Cada pessoa é única, e recomendações genéricas raramente são úteis. 

Ref: Popkin, et al. Does hunger and satiety drive eating anymore?Increasing eating occasions and decreasing time between eating occasions in the US. Am J Clin Nutr 2010

Fonte: https://www.facebook.com/DrBrunoHalpern/

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Mapa da Obesidade



Uma das maiores autoridades (no Brasil) em Obesidade na atualidade é o endocrinologista Dr. Bruno Halpern, filho do  Prof. Dr. Alfredo Halpern. Toda semana o Dr. Bruno posta artigos interessantes sobre o tema na sua página do facebook: https://www.facebook.com/DrBrunoHalpern/

Hoje ele postou um mapa bem interessante. A imagem é difícil de entender, mas ela é muito ilustrativa. Consiste basicamente em um “Mapa da Obesidade”, que discute a complexidade da doença, e todas suas inter-relações, tanto biológicas, psicológicas e culturais.

Quando alguém diz que emagrecer é simples, só comer menos e se mexer mais, ou que quer um remédio que “tire a fome e a vontade de comer” seria interessante que Nutrólogos e Endócrinos mostrassem essa imagem para a pessoa entender o tamanho da complexidade da doença.

O interessante é que mesmo que você corte algumas das vias, sempre será possível chegar a um ponto por outras. Sendo assim, o tratamento deve ser multidisciplinar e englobar questões de mudança de estilo de vida, tanto alimentares como exercício, com medicações (quando bem indicadas), estratégias comportamentais, vigilância e assim por diante.

Desconfie de quem tem soluções simples e únicas, e desconfie de quem diz que devemos “ouvir nosso corpo”. Embora atenção plena e entender porque comemos algumas coisas é importantíssimo, para pessoas com genética favorável ao ganho de peso, ouvir os sinais do corpo de nada servirá

Link para a imagem: http://www.shiftn.com/obesity/Full-Map.html