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quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Brasil: Ingestão de gorduras saturadas e o consumo de fibras diminuíram em dez anos



Resumo: 
  1. A ingestão de gorduras saturadas e o consumo de fibras diminuíram em dez anos.
  2. A frequência de uso do açúcar pelas pessoas caiu de 90,8% para 85,4% em dez anos. No mesmo período, aumentou de 1,6% para 6,1% o percentual da população que não usa açúcar ou adoçante. Enquanto o uso de edulcorantes artificiais aumentou de 7,6% para 8,5%.
  3. O uso do sal adicionado em comidas prontas foi mencionado por 13,5% da população e era mais frequente em homens adultos (16,5%).
  4. O consumo da gordura saturada diminuiu entre homens, mulheres e todos os grupos de idade.
  5. O sódio foi ingerido acima do limite por 53,5% da população e o índice foi mais elevado em homens adultos (74,2%) e menor em mulheres idosas (25,8%).
  6. As dietas para emagrecimento foram mais frequentes nas mulheres adultas (9,4%).
  7. 19,2% das pessoas informaram o uso de pelo menos um suplemento alimentar no período de 30 dias anteriores à pesquisa.
O prato na mesa do brasileiro apresentou mudanças em dez anos que acabaram alterando o perfil de consumo de alguns nutrientes. Nesse período, a ingestão de gorduras saturadas e o consumo de fibras diminuíram. Outros hábitos na alimentação continuam bastante presentes no prato e no copo do brasileiro, como adicionar açúcar em bebidas e alimentos e colocar sal em preparações prontas. As informações são da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018: Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil, publicada hoje (21) pelo IBGE.

Para o gerente da pesquisa, André Martins, esses dados dão um panorama a respeito da dieta brasileira. “Nossa alimentação ainda é baseada no feijão, arroz e carne, e isso é positivo, mas temos que melhorar o consumo de frutas e legumes e diminuir o açúcar e o sódio em excesso”, analisa o pesquisador.

O consumo de ácidos graxos saturados (gordura saturada) diminuiu no grupo dos homens e mulheres e nas três faixas etárias pesquisadas: adolescentes, adultos e idosos. A faixa de mulheres idosas apresentou a maior queda: a contribuição na alimentação passou de 10,2% para 9,3%. De acordo com a médica e consultora da pesquisa, Rosely Sichieri, essa redução é positiva e pode ser atribuída à redução no consumo de carne bovina apresentada no Brasil entre 2008 e 2018.

O conteúdo em fibra na dieta também caiu, em dez anos, em todas as faixas etárias e ambos os sexos, mas atingiu, principalmente, as mulheres com 60 anos ou mais, passando de 20,5g em 2008 para 15,6g em 2018 nessa faixa. Para a consultora, essa queda indica deterioração da qualidade da alimentação, e corresponde à diminuição do consumo de feijão, cuja frequência no prato caiu de 72,8% para 60% no período. “É um dos alimentos da dieta brasileira que proporciona grande parte das fibras alimentares”, explica Sichieri.

Mas a alta frequência de consumo de açúcar e sal ainda preocupa os especialistas. Para adoçar bebidas e comidas, 85,4% da população afirmou colocar açúcar. A frequência diminuiu (era de 90,8% em 2008), mas ainda é considerado alta. O maior consumo ficou entre os adolescentes, chegando a 93% em ambos os sexos, e o menor entre as mulheres com 60 anos ou mais (69,2%). Nesses dez anos, aumentou de 1,6% para 6,1% o percentual da população que afirma não adicionar nem açúcar nem adoçante. Já o uso de edulcorantes artificiais aumentou de 7,6% para 8,5%.

A contribuição percentual das proteínas, carboidratos e gorduras para a ingestão total de energia também se manteve estável, variando entre 53% e 57% para carboidratos, 28% e 30% para gorduras e 17% e 19% para proteínas, em ambos os gêneros.

O sal era adicionado em comidas prontas por 13,5% da população e era mais frequente em homens adultos (16,5%). O sódio foi ingerido acima do limite por 53,5% da população, índice mais elevado em homens adultos (74,2%) e menor em mulheres idosas (25,8%). “A pesquisa mostra que o brasileiro continua com níveis de consumo de sódio acima do limite tolerável, levando em considerações as recomendações médicas. É um ponto que temos que prestar atenção”, aponta Martins.

Mulheres lideram suplementação e dietas para emagrecer

A pesquisa também traz informações a respeito de suplementação e dietas restritivas para emagrecimento ou para tratamento de doenças e distúrbios. Segundo a POF, as dietas para emagrecimento foram mais frequentes nas mulheres adultas (9,4%), enquanto as restrições alimentares relacionadas às doenças crônicas ou distúrbios metabólicos como hipertensão e diabetes foram referidas por 26,8% das mulheres idosas e 19,1 % dos homens idosos.

Segundo a POF, 19,2% das pessoas informaram o uso de pelo menos um suplemento alimentar no período de 30 dias anteriores à pesquisa. Esse índice sobe para 41% entre as mulheres idosas, que informaram em maior proporção o uso de suplementos com cálcio (21,3%) e com vitaminas (19,5%).

Suplementos à base de proteínas e outros suplementos para atletas foram referidos por 1,7% da população geral, enquanto 13,9% informaram estar em restrição alimentar.

Uso de injetáveis na Nutrologia - Quando utilizar e aspectos éticos e legais

Recentemente, temos percebido uma confusão sobre o tema “terapia com injetáveis em Nutrologia”. Classicamente, na Nutrologia temos a Terapia Nutricional Parenteral que, de acordo com a Portaria 120/2009 (ANVISA), consiste em uma solução ou emulsão composta por carboidratos, lipídeos, aminoácidos, vitaminas e minerais destinada à administração intravenosa, para suprir as necessidades metabólicas e nutricionais de pacientes impossibilitados de alcançá-las pela via oral ou pela via enteral. Há indicações bem estabelecidas na literatura e é uma prática que salva vidas, devendo ser prescrita somente por médicos.

Atualmente, temos visto aplicação de aminoácidos, vitaminas, minerais e nutracêuticos por via intramuscular ou por via intravenosa, realizadas em consultórios. 

Isso é proibido? Não, se seguir as normativas da vigilância sanitária. 

Isso é área de atuação do nutrólogo? Sim, se tiver indicação com evidência científica, mas será considerado antiético se o médico exagerar no diagnóstico do paciente, praticando atos médicos desnecessários. Nesse caso, ele pode infringir os artigos 14 e 35 do Código de Ética Médica (CEM), citados a seguir:

Art. 14. [É vedado ao médico] Praticar ou indicar atos médicos desnecessários ou proibidos pela legislação vigente no País.

Art. 35. [É vedado ao médico] Exagerar a gravidade do diagnóstico ou do prognóstico, complicar a terapêutica ou exceder-se no número de visitas, consultas ou quaisquer outros procedimentos médicos.

Caso o paciente apresente alguma complicação decorrente do tratamento prescrito, o médico também pode responder por infração referente ao artigo 1º do CEM:

Art. 1º [É vedado ao médico] Causar dano ao paciente, por ação ou omissão, caracterizável como imperícia, imprudência ou negligência.

E quais seriam as situações em que se justifica a aplicação dessas substâncias por uma via que não seja a via oral? 

1º: se o trato grastrointestinal (TGI) não está funcionante, ou inacessível, ou com dificuldade absortiva, ou quando a demanda metabólica é superior a capacidade de tolerância do TGI: opta-se pela nutrição parenteral, plena ou suplementar.

Temos como exemplos pacientes portadores de síndrome do intestino curto, pacientes oncológicos com deficiência nutricional grave, portadores de doença inflamatória intestinal em atividade que não toleram dieta oral ou dieta enteral, dentre outras inúmeras condições clínicas e cirúrgicas. 

2º: situações de falhas no tratamento após tentativas de reposição de eletrólitos, vitaminas ou minerais por via oral ou por via enteral, como pacientes pós bariátricos que podem não responder a reposição de ferro, vitamina B12 ou vitamina D, por exemplo. Ou seja, a via de escolha inicialmente sempre deve ser a via oral, seja através da alimentação, seja através da suplementação nos casos das deficiências nutricionais. 

Recentemente, a Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) publicou nota de esclarecimento sobre a administração de soroterapia e o novo coronavírus onde esclarece que não faz parte de seus roll de procedimentos a administração de soroterapia endovenosa para a prevenção de doenças infectocontagiosas, bem como, não há nenhuma evidência científica de que a infusão de soros, com qualquer dose de vitaminas, minerais, aminoácidos, antioxidantes ou outros nutrientes, tenha efeito preventivo contra o novo Coronavírus. 

https://abran.org.br/2020/03/16/nota-de-esclarecimento-relacao-entre-a-administracao-de-soroterapia-e-o-coronavirus/

Autores:
Dr. Frederico Lobo - CRM-GO 13192 | RQE 11915 - Médico Nutrólogo. Idealizador do movimento Nutrologia Brasil. @drfredericolobo 
Dra. Karoline Calfa - Médica Nutróloga e com área de atuação em parenteral e enteral. Conselheira do CRM-ES. 
@karol.calfa 
Dr. Pedro Dal Bello -  Nutrólogo e Oncologista clínico.  @pedrodalbello
Dr. Rafael Iazetti - Médico Nutrólogo e professor da pós-graduação de Nutrologia do Hospital Albert Einstein. @rafael_iazetti 

domingo, 21 de abril de 2019

Tratamento medicamentoso da obesidade off-label


Agora que a série do Dr. Bruno Halpern finalizou, vamos começar a fazer sobre as medicações utilizadas no tratamento de obesidade porém, que são de uso Off-label. Ou seja, não tem indicação formal (em bula) para tratamento da obesidade, mas que promovem uma de peso, de leve a moderada.

Quais são elas:

  1. Bupropiona com naltrexona: Contrave (USA) e no Brasil prescrevendo Bupropiona (Welbutrim, Bup, Bupium) com Naltrexona (manipulado pq infelizmente não tem a dose pronta na indústria)
  2. Topiramato: Videmax, Topit, Amato
  3. Fluoxetina e outros antidepressivos como Sertralina, Desvelafaxina, Fluvoxamina
  4. Lisdexanfetamina: Venvanse
  5. Metformina

Ao longo das próximas semanas abordaremos cada um deles. 

segunda-feira, 9 de julho de 2018

O que é a Nutrologia ? O que faz um nutrólogo ?


Nutrologia pode ser definida como uma especialidade médica que estuda a fisiopatologia, o diagnóstico e tratamento das doenças nutricionais. Compreende-se por Doença Nutricional, qualquer patologia que tem como agente primário etiológico algum nutriente, seja ele excesso ou déficit.
O início da Nutrição médica ou Nutrologia Médica começou em 1932 com o médico Josué de Castro que estudou problemas relacionados a nutrição no Brasil, influenciado pelo Nutrólogo argentino Pedro Escudeiro (o pai da Nutrição médica na América Latina). Dr. Josué foi responsável pelo primeiro estudo de inquérito alimentar no Brasil. Foi criador do Serviço de Alimentação e Previdência Social (SAPS, 1940), da Comissão Nacional de Alimentação (CNA, 1945). Criou e dirigiu o Instituto de Nutrição da Universidade do Brasil por 10 anos. Foi diretor cientifico dos Arquivos Brasileiros.
Um outro pioneiro na área de Nutrição médica no Brasil é o Prof. Dr. José Eduardo Dutra de Oliveira. Ele foi um dos responsáveis pelo reconhecimento da importância e da necessidade do ensino da Nutrição clínica no ensino médico e desde a década de 50 atua em nosso país. Em 1956 criou a divisão de Nutrologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (HCFMUSP-RP)
A Nutrologia apesar de parecer uma especialidade nova no Brasil, já tem mais de 45 anos, no Brasil sendo representada pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Uma associação médica que foi criada em 1973 no Rio de Janeiro pelos médicos Prof. Dr. José Evangelista (in memorian) e Dra. Clara Sambaquy Evangelista (in memorian).
É importante salientar que o termo Nutrologia, proposto pelo Prof. Dr. José Evangelista, e aprovado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Médica Brasileira (AMB), tem também as denominações correspondentes como: Nutrologia Médica, Nutrologia Funcional, Nutrição Médica, que são sinônimos e representam por definição e analogia o termo Nutrologia.
Posteriormente vários médicos deram continuidade ao projeto do casal Evangelista, dentre eles o Prof. Dutra e seus “discípulos” da divisão de Nutrologia do HCFMUSP-RP.
Dr. Hélio Vanuchi:
Dr. José Ernesto dos Santos:
Dr. Júlio Sergio Marchini:
Dr. Fernando Bahdur Chueire:
Dra. Vivian Marques Miguel Suen:

Porém só em 1978, a Nutrologia foi reconhecida como Especialidade Médica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pelo Conselho Nacional de Residência Médica (CNRM).
Atualmente o presidente da ABRAN é o Prof. Dr. Durval Ribas Filho, médico, endocrinologista e Nutrólogo.
Muitos profissionais ligados à área de Nutrição médica não se intitulam nutrólogos, nem são filiados ou titulados à ABRAN, mas merecem o nosso reconhecimento pelos feitos na área, dentre esses profissionais temos:
Prof. Dr. Dan Waitzber (GANEP): Médico cirurgião e profº associado do deptº de Gastroenterologia da FMUSP, Coordenador do Laboratório de Metabologia e Nutrição em Cirurgia Digestiva – Metanutri da FMUSP, Coordenador da Comissão de Nutrologia do Complexo Hospitalar Hospital das Clinicas da FMUSP. Diretor do Ganep Nutrição Humana.
Prof. Dr. José Eduardo de Aguilar-Nascimento (UFMT): Médico, especialista em Cirurgia do aparelho digestivo. Mestre e doutor em Gastroenterologia Cirúrgica pela UNIFESP. É responsável pelo grupo de pesquisa Nutrição e Cirurgia da UFMT e pelo projeto ACERTO (www.projetoacerto.com.br).
Prof. Msc. Maria de Lourdes Teixeira da Silva (GANEP): Médica, especialista em nutrição parenteral e enteral (BRASPEN), Mestre em Gastroenterologia e diretora do GANEP.
Dr. Antônio Carlos L. Campos (UFPR): Professor Titular de Cirurgia do Aparelho Digestivo e Coordenador do Programa de Pós-graduação em Clínica Cirúrgica da Universidade Federal do Paraná. Ex-Presidente da SBNPE e da FELANPE.
Prof. Dra. Isabel Correia (UFMG): Médica e professora de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG. Coordenadora do grupo de Nutrição do Instituto Alfa de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas da UFMG.
Dra. Maria Cristina Gonzales (UCPEL): Médica, especialista em Gastroenterologia e Nutrição enteral e parenteral (BRASPEN). Professora Titular no Programa de Pós-graduação em Saúde e Comportamento da Universidade Católica de Pelotas, RS. Professora Colaboradora no Programa de Pós-graduação em Nutrição e Alimentos da Universidade Federal de Pelotas, RS. Editora do BRASPEN Journal.
Dra. Melina Castro (BRASPEN): Médica, especialista em Nutrologia pela Faculdade de Medicina da USP. Doutora pela Faculdade de Medicina da USP. Coordenadora da EMTN do Hospital Mario Covas – Faculdade de Medicina do ABC. Coordenadora da Pós-graduação de Terapia Nutricional em doentes graves do Hospital Israelita Albert Einstein.
Dr. Paulo Cesar Ribeiro (BRASPEN): Médico cirurgião geral. Especialista em Proctologia, Medicina Intensiva e Nutrição enteral e parenteral (BRASPEN).  Mestre em Cirurgia Geral pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Responsável pelo Serviço de Terapia Nutricional Artificial do Hospital Sírio Libanês.
Dr. Rodrigo Costa (BRASPEN): Médico, especialista em Clínica médica, Nefrologia, Medicina intensiva e Nutrologia. Coordenador da EMTN do Hospital de Urgências de Goiânia. Professor do Comitê de Terapia Nutricional da AMIB.
Dr. Haroldo Falcão (BRASPEN): Médico, especialista em Medicina intensiva e Nutrologia (ABRAN). Professor do Comitê de Terapia Nutricional da AMIB.
Dr. Diogo Toledo (BRASPEN): Médico intensivista e especialista em Nutrição enteral e parenteral (BRASPEN). Presidente da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (BRASPEN). Coordenador do Comitê de Terapia Nutricional da AMIB.
ABRAN realizou o 1º. Curso Nacional de Atualização em Nutrologia (CNNutro) em 2003. O mesmo nos primeiros anos ocorreu na Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto. Nos últimos anos, o CNNUTRO vem sendo realizado em São Paulo-SP. Atualmente a ABRAN promove também o Curso Nacional de Nutrição enteral e parenteral (CNNEP). Para maior intercâmbio entre os afiliados e o público interessado em Nutrologia, a ABRAN criou o Nutro News (NN), um informativo trimestral e a Revista Científica de Nutrologia (International Journal of Nutrology), de distribuição gratuita para os afiliados. Anualmente promove o Congresso Brasileiro de Nutrologia (CBNutrologia) e jornadas regionais de Nutrologia.
GANEP que é uma instituição aberta para médicos que atuam na área de nutrição médica e para nutricionistas possui uma pós-graduação em Nutrição clínica, Residência Médica no Hospital da Beneficência Portuguesa e organiza anualmente um congresso, o GANEPÃO.
BRASPEN é a entidade responsável por emitir os títulos na área de atuação em Nutrição Parenteral e Enteral. Organiza vários cursos em todo o país e anualmente tem o seu congresso nacional.
No Brasil a Especialidade relacionada à Nutrição médica é a Nutrologia. Porém há áreas de atuação dentro da Nutrologia. São elas:
  • Nutrição Parenteral e Enteral
  • Nutrição Parenteral e Enteral Pediátrica
  • Nutrologia Pediátrica
No Brasil há pouco mais de 1600 Nutrólogo titulados. Nos últimos 5 anos a Especialidade cresceu exponencialmente, porém poucos ainda são nutrólogos verdadeiramente, ou seja, titulados e registrados no CFM. Quando um profissional se intitula algo sem possuir o título, ele está cometendo infração ética perante o Código de Ética Médica que rege a medicina. Portanto, antes de se consultar com um profissional que se diz Nutrólogo, verifique se o mesmo é, realizando uma pesquisa simples no site do CFM ou dos CRMs regionais.
Acho importante salientar que na atualidade alguns profissionais estão levando a uma deturpação do que é realmente a Nutrologia. Pessoas confundindo terapias como Ortomolecular, Anti-aging, Nutriendocrinologia ou Medicina Integrativa com a Nutrologia.
Estas terapias até podem utilizar de elementos da Nutrologia e terem sua base calcada em fundamentos nutrológicos, mas a Nutrologia não incorpora na sua prática clínica ou hospitalar nada destas áreas, que sequer são reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina.
Mas afinal, o que faz um nutrólogo ?
O Nutrólogo é o médico habilitado e capacitado para diagnosticar, acompanhar e tratar todas as doenças que sejam de cunho nutricional ou que a ingestão alimentar pode influenciar no prognóstico.
A Nutrologia estudapesquisa e avalia os malefícios decorrentes da ingestão ou déficit de um determinado nutriente. Baseado nessa premissa, a Nutrologia aplica esse conhecimento para a avaliação de nossas necessidades orgânicas, visando a manutenção da saúde e redução de risco de doenças, assim como o tratamento das manifestações de deficiência ou excesso de nutrientes.
O acompanhamento do estado nutricional do paciente e a compreensão da fisiopatologia das doenças diretamente relacionadas com os nutrientes permitem ao médico Nutrólogo atuar no diagnósticoprevenção e tratamento destas doenças, contribuindo na promoção de uma vida saudável, com melhor qualidade de vida.
Nossa abrangência engloba:
  • O diagnóstico e tratamento das doenças nutricionais (que incluem as doenças nutroneurometabólicas de alta prevalência nos dias de hoje como a obesidade, a hipertensão arterial e o diabetes mellitus), utilizando de todo um arsenal propedêutico (investigativo) e terapêutico: solicitação e avaliação de exames complementares, prescrição de medicações, vitaminas, minerais, ácidos graxos, antioxidantes, quando necessários.
  • A identificação de possíveis “erros” alimentareshábitos errôneos de vida ou estados orgânicos que estejam contribuindo para o quadro nutricional do paciente, já que as interrelações entre nutrientes-nutrientes, nutrientes-medicamentos e de mecanismos regulatórios orgânicos são complexas, podendo levar ao padecimento do organismo.
  • O esclarecimento ao paciente, de que existem doenças nutricionais, decorrentes de alterações nos nutrientes. Desde condições mais simples, como anemia ferropriva e carência de vitamina A, até condições mais complexas, como: obesidade, hipertensão arterial, diabetes mellitus, vários tipos de câncer, anorexia nervosa, osteoporose. Elucidar para o paciente quais são as substâncias benéficas e maléficas presentes nos alimentos, de modo que ele mesmo saiba fazer as suas escolhas alimentares para viver mais e melhor.
  • Tratamento de pacientes gravemente enfermos ou internados em hospitais, a fim de se combater a desnutrição principalmente intra-hospitalar.
Baseado nisso, em quais estabelecimentos um médico Nutrólogo poderia atuar? Em quais áreas poderia adentar?
Para fins didáticos, prefiro subdividir a Nutrologia em Nutrologia clínica e Nutrologia Hospitalar.
Nutrólogo que atua em Nutrologia clínica geralmente exerce suas atividades dentro de serviços ambulatoriais/consultório, atendendo situações que não necessitam de intervenção emergencial. Ex: médico Nutrólogo que trabalha com obesidade em ambulatório no sistema público ou em consultório privado. Eu sou um Nutrólogo clínico. 
Já a Nutrologia hospitalar, como o próprio nome diz, englobará atuações dentro do âmbito hospitalar. Ou seja, pacientes internados em enfermarias ou Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A Nutrologia hospitalar geralmente utiliza dentro do seu arsenal terapêutico, de fórmulas enterais (via sonda ou gastrostomia/jejunoostomia) ou formulações parenterais (via endovenosa).
Dentre as áreas que o Nutrólogo pode atuar, além da hospitalar temos:
  • Nutrologia pediátrica
  • Nutrologia geriátrica
  • Nutrologia esportiva
  • Nutrologia oncológica
  • Nutroterapia no paciente cirúrgico
  • Nutroterapia materno-fetal
  • Nutroterapia de doenças hepáticas,
  • Nutroterapia de doenças gastrintestinais,
  • Nutroterapia de doenças renais,
  • Nutroterapia de doenças pulmonares,
  • Nutroterapia de doenças cardíacas e vasculares,
  • Nutroterapia de doenças neurológicas,
  • Nutroterapia de doenças reumatológicas,
  • Nutroterapia de doenças osteomusculares,
  • Nutroterapia de doenças ginecológicas,
  • Nutroterapia de doenças hematológicas,
  • Nutroterapia de doenças alérgicas.
Ou seja, o Nutrólogo pode atuar em todas as áreas da medicina, já que existe uma interface entre a maioria das doenças e aspectos nutricionais.
Quais doenças e situações nutrólogos tratam ?

  1. Pacientes críticos e internados em Centros de Terapia Intensiva (CTIs), necessitando de suporte nutricional para melhorar o prognóstico e evitar complicações (ex. sarcopenia) após a alta.
  2. Pacientes restritos ao leito hospitalar e que necessitam de suporte nutricional adequado.
  3. Pacientes que serão ou foram submetidos a cirurgias.
  4. Orientações nutrológicas para pacientes oncológicos (os mais diversos tipos de câncer).
  5. Pacientes que não conseguem ingerir comida por via oral (pela boca) e necessitam de sonda nasogástrica/nasoenteral ou por via endovenosa (na veia).
  6. Pacientes com gastroostomia ou jejunoostomia.
  7. Magreza constitucional (baixo peso), em todas as fases da vida.
  8. Sobrepeso.
  9. Obesidade em todos os seus graus: em todas as fases da vida.
  10. Preparo pré-cirurgia bariátrica.
  11. Acompanhamento pós-cirurgia bariátrica.
  12. Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP).
  13. BulimiaAnorexiaSíndrome do Comer NoturnoVigorexiaOrtorexia: aspectos nutrológicos. O acompanhamento psiquiátrico é indispensável
  14. Aspectos nutricionais da ansiedade, depressão, insônia (ou seja, o psiquiatra faz a parte dele e o nutrólogo busca déficits nutricionais ou intoxicação por substâncias que possam estar interferindo no agravamento da doença).
  15. Intolerância à glicose.
  16. Diabetes mellitus tipo 2  e tipo 1.
  17. Dislipidemias: hipercolesterolemia (aumento do colesterol) e hipertrigliceridemia (aumento do triglicérides).
  18. Síndrome metabólica: Obesidade acompanhada de hipertensão, aumento da circunferência abdominal ou dislipidemia.
  19. Esteatose hepática não-alcóolica (gordura no fígado).
  20. Alergias alimentares.
  21. Intolerâncias alimentares (lactose, frutose rafinose e sacarose).
  22. Anemias carenciais (por falta de ferro, de vitamina B12, de ácido fólico, cobre, zinco, complexo B, vitamina A).
  23. Pacientes vegetarianosveganosovolactovegetarianoscrudivoristas.
  24.  Constipação intestinal (intestino preso).
  25. Diarréia aguda ou crônica.
  26. Síndrome do Intestino Curto.
  27. Dispepsias correlacionadas à ingestão de alimentos específicos (má digestão).
  28. Alterações da Permeabilidade intestinal (leaky Gut), Disbiose intestinal.
  29. Síndrome de Supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO).
  30. Síndrome do intestino irritável.
  31. Orientações nutrológicas em Doença de Chron e Retocolite ulcerativa.
  32. Aspectos nutrológicos da Fibromialgia.
  33. Pacientes portadores de Fadiga ou Fadiga crônica.
  34. Acompanhamento nutrológico pré-gestacional e gestacional (preparo pré-gravidez e pós-gravidez para retornar ao peso anterior e fazer suplementações necessárias).
  35. Infertilidade (aspectos nutrológicos).
  36. Orientações nutrológicas para cardiopatas (Insuficiência coronariana, Insuficiência cardíaca, Arritmias, Valvulopatias, Hipertensão arterial).
  37. Orientações nutrológicas para pneumopatas (Enfisema, Asma, Fibrose cística).
  38. Orientações nutrológicas em Hiperuricemia (aumento do ácido úric0), Gota.
  39. Orientações nutrológicas em Transtorno de déficit de atenção com hiperatividade.
  40. Orientações nutrológicas e tratamento de pacientes com sarcopenia (baixa quantidade de músculo).
  41. Orientações nutrológicas e tratamento de pacientes com osteoporose ou osteopenia.
  42. Orientações nutrológicas para portadores de doenças autoimunes (artrite reumatóide, lúpus, Hipotireoidismo/tireoidite de hashimoto, psoríase, vitiligo, doença celíaca).
  43. Orientações nutrológicas em portadores de HIV em tratamento com antirretrovirais.
  44. Orientações nutrológicas para hepatopatas (Varizes esofagianas, Hipertensão portal, insuficiência hepática, Ascite, cirrose hepática).
  45. Orientações nutrológicas para nefropatas (Insuficiência renal aguda, insuficiência renal crônica, glomerulonefrites, litíase renal).