sábado, 24 de agosto de 2013

Além do chumbo, estudo revela mais metais tóxicos em batons e brilhos labiais

Rosa suave, vermelho brilhante, ou mesmo roxo cianótico – milhões de mulheres e meninas passam batom todos os dias. E isso não acontece só uma vez: algumas usuárias que se preocupam tanto com o estilo retocam a cor mais de 20 vezes ao dia, de acordo com um estudo realizado recentemente. Porém, será que elas estão se expondo a metais tóxicos?

A maior parte dos batons contém ao menos traços de chumbo, segundo pesquisadores. Contudo, um novo estudo revelou que uma gama ampla de marcas contêm até oito outros metais, de cádmio a alumínio. Agora, especialistas levantam questões sobre o que aconteceria se esses metais fossem ingeridos ou absorvidos diariamente.

Além de chumbo, foram encontrados traços de cádmio, cobalto, alumínio, titânio, manganésio, cromo, cobre e níquel em 24 marcas de gloss e batom

"Isso faz diferença porque é uma questão crônica e de longo prazo, não uma exposição de curto prazo", afirmou Katharine Hammond, professora de ciências da saúde ambiental da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e principal autora da nova análise. "Não queremos dizer que as pessoas precisam entrar em pânico. Só estamos dizendo que não devemos ser complacentes, já que esses metais são conhecidos por afetar a saúde humana."

A questão recebeu a atenção do público em 2007, com um relatório a respeito de batons contaminados com chumbo intitulado "A Poison Kiss" (“Um beijo envenenado”, em tradução literal), da Campanha por Cosméticos Seguros. A FDA publicou um estudo de fôlego em 2011, como consequência, encontrando traços de chumbo em 400 batons.

Tanto a FDA, quanto a indústria dos cosméticos insistem que os níveis de chumbo encontrados, próximos de uma parte por milhão, ou ppm, não representa risco real ou fora do comum. "Os metais estão em toda parte", afirmou Linda Loretz, toxicologista-chefe do Conselho de Produtos de Cuidado Pessoal, uma associação de empresas do setor. "E essa é uma porção muito pequena, pequena demais para representar um perigo para a saúde".


No entanto, o chumbo tende a se acumular no corpo, destacou o Dr. Sean Palfrey, diretor médico do programa de prevenção ao envenenamento por chumbo do Centro Médico da Universidade de Boston. A própria FDA estabelece um padrão de segurança de 0,1 ppm para o chumbo em doces voltados para crianças pequenas. "Sem dizer que o CDC reconheceu no ano passado que nenhum nível de chumbo é realmente seguro", afirmou Palfrey.

Além disso, o chumbo pode não ser a única preocupação. O novo estudo de Hammond, publicado em maio na revista Environmental Health Perspectives, revelou traços de cádmio, cobalto, alumínio, titânio, manganésio, cromo, cobre e níquel em 24 marcas de gloss e batom. Os pesquisadores escolheram os produtos mais usados por adolescentes em um centro de saúde comunitário em Oakland, Califórnia. As garotas entrevistadas relataram que passavam batom ou gloss até 24 vezes por dia.

Alumínio, cromo e manganésio apresentaram as maiores concentrações de todas, segundo Hammond e seus colegas. A concentração média de alumínio em produtos para o lábio chegava a 5.000 ppm; a concentração de chumbo tinha um média de 0,359 ppm.

O alumínio é acrescentado aos batons como estabilizador, afirmou Loretz: "Ele ajuda a impedir que as cores escorram". O óxido de titânio é utilizado como agente branqueador, que ajuda a transformar o vermelho em rosa. Ambos os usos são aprovados pela FDA. Todavia, os demais metais registrados pela equipe de Hammond provavelmente são contaminações indesejadas, afirmou Loretz.

Por exemplo, fabricantes frequentemente utilizam flocos microscópicos de mica, uma formação mineral natural, para dar mais brilho ao gloss. A mica frequentemente contém metais como chumbo, manganésio, cromo e alumínio. Além disso, há indícios de que cores mais intensas contenham um volume maior de metais em função da contaminação dos pigmentos.

Na análise publicada pela FDA em 2011, a maior presença de chumbo foi registrada no batom rosa floral escuro, e a menor, no protetor labial neutro. Um estudo europeu revelou que o batom marrom costumava apresentar as maiores concentrações de chumbo, ao passo que pesquisadores da Arábia Saudita demonstraram que as cores mais escuras tinham em média 8,9 ppm de chumbo, comparados com 0,37 nos batons de cores claras.

Todavia, ainda há uma gama ampla de concentrações metálicas entre as diferentes cores e marcas. Para Palfrey, isso sugere que as empresas de cosméticos sejam capazes de controlar as concentrações de metal quando desejam. "Não deveria ser tão difícil para os fabricantes eliminarem os traços de metais em uma situação na qual nem eles nem nós sabemos o que é seguro para os consumidores", afirmou.

Alguns metais são indubitavelmente absorvidos pelas mucosas da boca, acrescentou Palfrey. Além disso, as pessoas engolem o batom, razão pela qual ele precisa ser passado com tanta frequência. Em vista do debate contínuo sobre quanto é absorvido pelo corpo, todos – incluindo a indústria dos cosméticos - pressionam a FDA para estudar o problema mais a fundo.

Enquanto isso, Hammond recomenda que os consumidores tenham bom senso quanto ao uso de cosméticos. Para começar, não deixando crianças brincarem com batons.

"Trate os batons como se fossem algo perigoso, uma vez que se acabarem os comendo, as crianças estarão ingerindo uma quantidade relativamente grande de metais para seus corpinhos", afirmou.

Também é importante evitar passar o batom muitas vezes, afirmou Hammond. Em vista de todas as incertezas, duas ou três vezes ao dia são o máximo que a beleza pode exigir com segurança.

Fonte: http://www.midianews.com.br/conteudo.php?sid=6&cid=170341

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O que é ser médico ? Por Dr. Flávio Moutinho

O que é ser MÉDICO?
Não é uma pergunta retórica nem filosófica. É uma pergunta prática que define uma profissão. Não é "médico é um ser abençoado", ou "médico é um bicho-papão, mau feito picapau". A pergunta é: o que faz do médico - e que não faz de outro profissional - um médico?

Gostaria de abrir essa pergunta para vocês. Médicos, outros profissionais da área da saúde, população geral. Todos os comentários serão permitidos (menos os agressivos, óbvio).

Eu sempre pensei (antes até de fazer Medicina) que fosse prerrogativa do médico, e só dele, fazer o diagnóstico nosológico (antes até de saber o que isso quer dizer). O diagnóstico da doença de base. E prescrever a melhor forma de tratamento. Com auxílio terapêutico de todos os outros profissionais de saúde atuando em suas respectivas áreas.

Digo diagnóstico NOSOLÓGICO porque "diagnóstico", tout-court, todo mundo faz.
O mecânico faz anamnese - o que aconteceu com o carro? desde quando ele está fazendo esse barulho? bateu em algum buraco? você estava a que velocidade quando isso aconteceu?; faz exame físico - abre o capô, checa o nível de óleo, vê se alguma peça está quebrada; faz um diagnóstico - quebrou a rebimboca da parafuseta; traça um plano terapêutico - vai ter trocar isso, isso e aquilo; e faz um prognóstico - se eu fosse você, trocava de carro, que vai quebrar de novo daqui a no máximo 5000km.
O economista, o dentista, o sociólogo, o fonoaudiólogo, o meteorologista, o dentista, o historiador, o fisioterapeuta analisam uma situação presente, preveem uma situação futura e traçam planos para evitar as adversidades.
Tanto quanto o diagnóstico de cada profissão específica cabe a ela própria, o diagnóstico médico cabe ao médico.

Não se nega à enfermeira o diagnóstico em Enfermagem. Seria proibi-la de analisar uma situação própria à Enfermagem e tirar conclusões sobre a conduta. Seria proibi-la de pensar. Idem para qualquer outro profissional de qualquer área, da saúde ou não.

Ao médico cabe o diagnóstico nosológico porque a formação médica lhe dá acesso a fazer diagnósticos diferenciais com doenças de outras áreas.
Se uma fonoaudióloga identifica uma disartria e inicia o tratamento fonoaudiológico, ela pode suspeitar que se trate de um AVC; mas quem deve fazer o diagnóstico do AVC e dizer se o tratamento é cirúrgico ou clínico com tal ou qual medicação é o médico. O que de modo nenhum tira a necessidade de se melhorar a disfunção da fala com o acompanhamento fonoaudiológico.
Se um psicólogo identifica um quadro depressivo, ele pode suspeitar de que se trate de um transtorno de humor. Mas quem deve fazer o diagnóstico de se é isso de fato ou, por exemplo, um câncer de pâncreas, que também cursa com quadro depressivo, é o médico.

Nos dois casos, e em tantos outros, o acompanhamento terapêutico é importante, mas fixar-se nele é correr o risco de perder diagnósticos fundamentais, e, por consequência, o tempo de tratamento.

Por Dr. Flávio Moutinho - Médico, especialista em endocrinologia e endocrinopediatria . Professor de fisiologia endócrina da UERJ. Preceptor na residência de endocrinologia da UERJ e residência de Endocrinopediatria da UERJ.

Curandeirismo oficializado - Nota Oficial do SIMERS

O Sindicato Médico do RS (SIMERS) divulga nota oficial sobre a manutenção dos vetos da presidente Dilma à Lei do Ato Médico.

CURANDEIRISMO OFICIALIZADO

Depois da liberação de mais de R$ 2 bilhões pela presidente para destinação dos parlamentares, vergonhosamente, o Congresso Nacional volta atrás de sua própria decisão e curva-se à vontade de Dilma. Trata-se de uma página que mancha a história da democracia brasileira.

Os vetos determinam que diagnósticos e tratamentos deixam de ser atribuição exclusiva do médico, mas também não dizem de quem é essa atribuição, deixando livre o exercício para quem assim o desejar. O que ontem era curandeirismo (e continua sendo no resto do planeta), passa a ser ato lícito no Brasil.

Como efeito colateral cria-se o cidadão de segunda categoria, o usuário do SUS. Ninguém que tenha posses chega a um hospital e diz: “Quero um não médico para tratar a minha dor de cabeça!”. Já no SUS, não se sabe quem fará o atendimento.