terça-feira, 9 de novembro de 2021

(Conteúdo para Médicos e Nutricionistas) - Dor muscular, como a Nutrição pode te auxiliar ? Por Prof. Valentim Magalhães

A dor muscular de início tardio (DMIT) tem como característica o início cerca de 24-72h após o exercício e é induzida pelo dano muscular gerado durante a atividade. Normalmente é causada por estímulos diferentes no treino (exercícios não habituais) e resulta em dor, inflamação, função muscular reduzida e costuma ter uma intensidade maior em indivíduos iniciantes.

O dano muscular que acompanha a DMIT normalmente também causa alterações de alguns marcadores bioquímicos, como creatina quinase (CK), lactato desidrogenase (LDH) e mioglobina, que extravasam da célula muscular para o sangue. Por isso, ao realizar um exame de sangue próximo a um treino intenso, é natural que esses marcadores estejam alterados (o que não necessariamente significa que foi um treino bom).

Esses desfechos negativos podem causar desconforto e prejudicar o desempenho subsequente ou a qualidade do treinamento, particularmente em indivíduos que têm tempo limitado para se recuperar entre as sessões de treinamento ou competições.

A nutrição é aliada no controle da DMIT e ganhou muita atenção na literatura nos últimos anos, entre algumas das estratégias destacam-se:

Frutas: a utilização de frutas/sucos de frutas como cereja, uva, melancia e laranja possuem grande capacidade antioxidante devido a presença de antocianinas (cereja e uva), citrulina (melancia) e vitamina C (cereja e laranja). Em conjunto, essas frutas tem mostrado benefícios como diminuição da DMIT, marcadores de dano muscular e inflamação.

Suplementos: foram descritos como eficientes a creatina e ômega, devido a ação anti-inflamatória; as proteínas, por aumentarem a síntese proteica e recuperação muscular; a Vit D por contribuir no remodelamento muscular e a cafeína por modular a dor ao se ligar no receptor de adenosina.

Ervas: mais recentemente também foi investigado o uso de plantas como gengibre, chá verde, cúrcuma, ginseng e rhodiola rosea. Todas atuam modulando a inflamação e possuem potencial efeito positivo no controle da DMIT.

Vale lembrar que antes de estratégias pontuais, como suplementos ou algum alimento especifico, é necessário cuidar da base: padrão alimentar, hidratação e sono.
 

Referência: Harty PS, Cottet ML, Malloy JK, Kerksick CM. Nutritional and Supplementation Strategies to Prevent and Attenuate Exercise-Induced Muscle Damage: a Brief Review. Sports Med Open. 2019 Jan 7;5(1):1. doi: 10.1186/s40798-018-0176-6. PMID: 30617517; PMCID: PMC6323061.

Autor: Prof. Valentim Magalhães

terça-feira, 2 de novembro de 2021

(Conteúdo para Médicos e Nutricionistas) - Asma - Como a Nutrição pode te auxiliar ? Por Prof. Valentim Magalhães

A asma é uma doença crônica comum, caracterizada por inflamação das vias aéreas, o que pode levar a períodos de obstrução ao fluxo de ar. Além do tratamento medicamentoso, existem medidas de controle ambiental (por exemplo, regulação da umidade, aspirar o ambiente e controle de pragas) que podem reduzir as exacerbações da doença. 

A alimentação também pode ser uma intervenção coadjuvante de impacto positivo. Por exemplo, análises epidemiológicas sugerem que o maior consumo de frutas e vegetais podem reduzir o risco de desenvolver asma, assim como controlar o curso da doença.

Um ensaio clínico randomizado de duas semanas revelou uma melhora clínica significativa da asma em indivíduos que receberam dieta com ≥5 porções de vegetais e 2 porções de frutas por dia, em comparação a dieta com ≤2 porções de vegetais e 1 porção de fruta por dia.

Por outro lado, a ingestão de lacticínios tem sido associada a exacerbação da asma. Em um estudo piloto, uma dieta sem leite e ovos por 8 semanas melhorou em 22% a taxa de fluxo expiratório de pico, enquanto as crianças que seguiram suas dietas normais experimentaram uma redução de 0,6% (P<0,05 entre grupos). Os estudos ainda são limitados e, portanto, a escolha dessa estratégia deve ser individual, analisando intolerâncias, riscos/benefícios e resposta clínica.

Em relação aos padrões dietéticos, a alimentação com caráter mediterrâneo e/ou plant-based é recomendada para reduzir o risco de desenvolvimento e exacerbação da asma, devido a sua capacidade anti-inflamatória. Diversos estudos apoiaram a ideia de que a maior ingestão de vegetais e menor de alimentos de origem animal se relaciona, de forma estatisticamente significativa, a menor gravidade da doença.

Mais especificamente, o aumento da ingestão de antioxidantes, fibras e ácidos graxos poli-insaturados diminui as respostas inflamatórias nas vias aéreas e, consequentemente, o quadro da asma.

Em um ensaio clínico recente, a dieta DASH por 6 meses reduziu os marcadores pró-inflamatórios associados a asma (P <0,05), corroborando que mudanças na dieta podem ter efeitos benéficos na asma.


Referências:
1. Alwarith, J., Kahleova, H., Crosby, L., Brooks, A., Brandon, L., Levin, S. M., & Barnard, N. D. (2020). The role of nutrition in asthma prevention and treatment. Nutrition Reviews, 78(11), 928–938. https://doi.org/10.1093/nutrit/nuaa005
2. Nygaard, U. C., Xiao, L., Nadeau, K. C., Hew, K. M., Lv, N., Camargo, C. A., … Ma, J. (2021). Improved diet quality is associated with decreased concentrations of inflammatory markers in adults with uncontrolled asthma. (9), 1–16.
3. Wood LG, Garg ML, Smart JM, Scott HA, Barker D, Gibson PG. Manipulating antioxidant intake in asthma: a randomized controlled trial. Am J Clin Nutr. 2012 Sep;96(3):534-43. doi: 10.3945/ajcn.111.032623. Epub 2012 Aug 1. PMID: 22854412.
4. Yusoff NA, Hampton SM, Dickerson JW, Morgan JB. The effects of exclusion of dietary egg and milk in the management of asthmatic children: a pilot study. J R Soc Promot Health. 2004 Mar;124(2):74-80. doi: 10.1177/146642400412400211. PMID: 15067979.

Autor: Prof. Valentim Magalhães