domingo, 22 de maio de 2022

Onde praticar caridade em Goiania

Ontem os termômetros marcaram 6°C de madrugada em Goiânia. Diante do frio, fico refletindo o quanto sou privilegiado por ter um lar, roupas, cobertores. Imaginando pessoas em situação de rua, que não tem o que comer e muito menos como se proteger do frio. O inverno pode ser cruel para alguns. 

Felizmente, esse ano estou vendo várias instituições se mobilizando para arrecadar cobertores, roupas, produtos de higiene pessoal e mantimentos para a população mais carente. Então caso queira e esteja com disponibilidade financeira, disponibilizarei nesse post, algumas instituições que estão auxiliando quem realmente precisa.

Em união com alguns amigos, fizemos um instagram chamado @rotadacaridade no qual disponibilizaremos a rota de onde há pessoas em vulnerabilidade social, grupos específicos que atuam de forma filantrópica, além de formas de praticar a caridade.

Conceituar caridade é algo completo, mas na minha opinião a caridade é a virtude de amar ao próximo como amamos a nós mesmos. É uma forma de expressão fraternal e também espiritual. É a atitude de agir com quem necessita, sem interesse, ou seja, sem esperar nada em troca. Você não precisa ter religião ou ser espiritualizado para praticar caridade. Precisa apenar ser humano e ter empatia.

Ser altruísta e caridoso é praticar o bem pelo bem, de fazer o bem. Ser altruísta é uma das mais belas virtudes na minha opinião. O foco no altruísmo é evolução, portanto quando você decide ser altruísta, invariavelmente está a favor da evolução. Evolução como ser humano, evolução moral ou até mesmo espiritual, dependendo da crença religiosa de cada um.

Cientificamente falando há alguns trabalhos que demonstram que a prática de caridade e altruísmo favorecem a liberação de doapamina. o Dr. Jorge Moll Neto, médico neurologista da UFRJ, fez o seu doutorado nessa área e na sua pesquisa, detectou que o chamado sistema de recompensa mesolímbico do cérebro (em uma área chamada Nucleus accumbens). 

Esse sistema é responsável pela sensação de bem-estar e prazer no nosso organismo.

Através de um experimento, em que foi utilizado mapeamento cerebral por ressonância magnética funcional, os pesquisadores observaram que as partes do cérebro que são ativadas por eventos e atividades que causam prazer - os chamados "centros de recompensa" - também eram "acendidos" quando voluntários realizavam doações para instituições de caridade. E isso era tão intenso quanto quando eles ganhavam direito para eles mesmos.

Separei alguns vídeos que explicam um pouco sobre como a neurociência compreende a caridade e altruísmo. Vale a pena assistir.


 







Caridade não precisa ser necessariamente doação de dinheiro, roupas e bens. Existem inúmeras formas de se praticar caridade. A caridade pode se tornar um estilo de vida para alguns. A prática pode ser inclusive um propósito de vida. Algumas formas de caridade:
  • Você pode praticar caridade quando decide ser grato às pessoas que te auxiliam, mesmo nas mínimas atitudes. A cultura da gratidão é uma forma de caridade com o próximo. E ser grato é uma escolha. É algo que você elabora, processa, reflete e decide se sentirá ou não.
  • Salientar para os outros o quanto você os ama. Amar ao próximo é uma caridade ensinada no Cristianismo.
  • Sorria e cumprimente com alegria as pessoas que estão ao seu redor. Doar um sorriso e palavras gentis também é uma forma de caridade.
  • Ligar para alguém que passa por um momento difícil e fornecer um suporte emocional, uma escuta. Pequenos gestos como esse podem salvar vidas. 
  • Ensinar algo que você gosta ou tem facilidade. Transmitir conhecimento é uma grande caridade. O conhecimento existe para ser compartilhado. Ao longo desses quase 13 anos do blog percebi claramente isso. É muito gratificante receber e-mail de gente de todo o mundo sendo grato por alguma informação que aqui coloquei.
  • Conversar, cantar ou tocar para crianças e idosos. Assim como ouvi-los. A escuta é uma forma de caridade.
  • Ajudar na arrecadação, produção e distribuição de alimento aos mais necessitados.
  • Fazer compras para alguém que não pode sair de casa. Quantos idosos são acamados ou possuem artrose grave e com isso ficam impossibilitados de se locomover com facilidade. Ofereça ajuda a essas pessoas.
  • Ajudar pessoas que procuram emprego a elaborar e distribuir currículo.  
  • Compartilhar conhecimentos da própria profissão. 
  • Contribuir com projetos de assistência a pessoas mais necessitadas, como pessoas em situação de rua, adictos, refugiados e pessoas marginalizadas. 
  • Respeitar e defender todas as formas de diferenças. Lutar por minorias. Ser anti-racista. 
  • Combater atitudes ruins, como preconceitos, disseminação de informações falsas e outros. 
  • Estimular as pessoas a terem alguma crença, mas se a pessoa optar por ser ateu, a vontade dela deve ser respeitada. 
  • Elogiar características que você admira de pessoas ao redor. Não custa nada.
  • Curtir e divulgar nas redes sociais o trabalho de amigos/conhecidos/familiares.
  • Encorajar as pessoas, dando suporte para que elas também alcancem seus objetivos.
  • Elogiar características que você admira de pessoas ao seu redor e nunca criticar/zombar uma pessoa por uma coisa que ela não consiga ou tenha dificuldade em mudar, como por exemplo, nariz grande, obesidade, orelhas de abano e etc. E até mesmo aquilo que ela pode mudar, como um cabelo colorido ou um piercing na testa, pois cada um tem a liberdade para fazer o que quiser da vida. Não custa nada ser gentil. 
  • Divulgar grupos que praticam caridade, como os grupos abaixo.
Associação Tio Cleobaldo


Associação Tio Cleobaldo é uma entidade filantrópica, sem fins lucrativos, que atua há mais de 40 anos.
Está situada em Goiânia-GO e tem como missão diminuir a vulnerabilidade que envolve as pessoas em situação de rua. 

Proporcionando dignidade e de reintegração familiar e na sociedade. Auxiliam cerca de 340 (Trezentos e quarenta) crianças fixas, uma média 35 (Trinta e cinco) gestantes, 541 (quinhentos e quarenta e uma) famílias em média fixa e mais de 700 (setecentas) pessoas em situação de rua, com distribuição de refeições no período noturno 2 vezes por semana, cestas básicas, roupas, sapatos e apoio social. 

Nesse inverno estão arrecadando cobertores. 
E-mail: cleobaldotio@gmail.com
Fone e whatsApp: (62) 98164-7604

Filhos de SR


A Filhos de SR é uma entidade filantrópica, sem fins lucrativos, que tem como objetivo auxiliar indivíduos em situação de rua, adictos (drogas, bebidas), estrangeiros e refugiados, acamados ou indivíduos com dificuldade de locomoção. 

Foi criada no ano de 2021 em Goiânia diante de um cenário de insegurança alimentar que se agravou durante a pandemia. Todos os sábado, o acorda cedo para preparar refeições (pão com manteiga, leite e bolachas) e distribuir em pontos estratégicos de Goiânia-GO. 

Também recebem doações de cobertores, roupas, calçados. Nesse inverno estão arrecadando cobertores.
E-mail: filhosdesr@gmail.com
Fone e WhatsApp: (62) 98330-8383.


Policia Civil de Goiás


Com a chegada de uma frente fria a Goiás, os policiais civis fizeram frente a campanha de distribuição de agasalhos e cobertores à medida que vão recebendo as doações arrecadas por entidades dos servidores ligadas a categoria. 

Até o dia 20/05, será feita uma ação nas proximidades da 1ª Delegacia Distrital (1ª DP), no Centro de Goiânia, com a distribuição de marmitas feitas por grupos voluntários, emissão de documentos pessoais por parte do Instituto de Identificação e a entrega dos agasalhos e cobertores. Pelo menos 1,7 mil pessoas cadastradas devem ser atendidas por essas arrecadações. 


Organização das voluntárias de Goiás (OVG)


Em meio às notícias sobre a chegada de uma massa de ar polar a Goiânia, o Governo de Goiás, por meio da OVG e do Gabinete de Políticas Sociais (GPS), se antecipou para ajudar quem mais sofre com o frio: as pessoas em situação de rua. No dia 12/05, equipes da OVG e do GPS foram às ruas da capital e distribuíram centenas de cobertores da Campanha Aquecendo Vidas 2022. 

A ação garante dignidade àqueles que mais necessitam e alcançará todos os 246 municípios goianos. Durante as entregas, pacotes individuais de frutas desidratadas do Banco de Alimentos da OVG também foram doados. A distribuição continuará nos próximos dias, quando outros 300 cobertores serão doados a famílias vulneráveis de Aparecida de Goiânia, dia 16/05. 

Realizada todos os anos, a Campanha Aquecendo Vidas já distribuiu mais de 130 mil cobertores desde 2019, além dos 70 mil adquiridos para este ano. As mais de 200 mil peças compradas desde o início da gestão representam um investimento de R$ 6,5 milhões. Para complementar as doações da Campanha Aquecendo Vidas, a OVG e o GPS estão arrecadando cobertores e agasalhos novos e usados (em bom estado de conservação), até o dia 25 de maio. Neste ano, as doações poderão ser entregues em 10 pontos diferentes:
  • OVG: Rua T-14, Setor Bueno
  • Palácio Pedro Ludovico Teixeira: Rua 82, nº 400, Centro
  • Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg): Rua 260, Setor Leste Universitário
  • Corpo de Bombeiros: Avenida C-206, Jardim América
  • Saneago: Avenida Fued José Sebba, nº 1245, Jardim Goiás
  • Enel: Rua Gileno Godói, 02, Quadra A37, 505, Jardim Goiás
  • Shopping Bougainville: Rua 9, nº 1855, Setor Marista
  • Shopping Cerrado: Avenida Anhanguera, nº 10.790, Setor Aeroviário
  • Associação Comercial e Industrial do Estado de Goiás (Acieg): Rua 14, nº 50, Setor Oeste
Outras instituições que precisam da sua ajuda, não só no inverno.

Instituto Total Educação - Desenvolvimento de métodos de aprendizagem

O Projeto Total Educação e Cultura em Aparecida de Goiânia, tem o propósito de cooperar na transformação e desenvolvimento do indivíduo, promovendo qualidade e melhoria no ensino por meio da promoção dos valores humanos e compartilhando recursos e habilidades. A instituição habilita professores e profissionais da educação por meio de consultoria e coaching para desenvolver e aperfeiçoar os métodos de aprendizagem. O projeto atua em duas escolas no setor Garavelo em Aparecida de Goiânia, impactando diretamente 280 crianças.
Onde: 2 escolas no Setor Garavelo - Aparecida de Goiânia
Informações: 99126-0432 
E-mail: marcelo@totaledu.com.br
Conta Corrente para doações:  Banco do Brasil - Agência 4678-7 Conta Corrente: 10730-1

Hospital Araújo Jorge - Combate ao Câncer

O Hospital Araújo Jorge é uma unidade de saúde privada e filantrópica, atendendo em média 80% dos pacientes pelo Sistema Único de Saúde(SUS). O HAJ atende cerca de 30.000 pacientes mensal de todas as idades, oferecendo tratamento para todos os tipos de câncer com os mais modernos recursos. É referência no tratamento da doença no Centro-Oeste. Só que esse número pode aumentar se mais ajudas forem recebidas. O Hospital não consegue atender  toda a demanda por falta de recursos. E não é só de recursos financeiros que a instituição precisa. Você pode ajudar doando sangue, indo com os amigos ajudar no trabalho voluntário, levando mantimentos, roupas. O HAJ conta ainda com a ala infantil que precisa além dos mantimentos, de fraldas, leite em pó, achocolatado, gelatinas; a dieta para as crianças com câncer é restrita e esses alimentos ajudam na recuperação dos pequenos. Custam pouco e fazem muita diferença na vida delas.
Endereço: Rua 239, N 206, Setor Universitário
Conta corrente para doações: Banco do Brasil Agência: 3388-x Conta Corrente: 11331-x Titular: Associação de Combate ao Câncer em Goiás
Informações para doações: (62) 3243-7000 ou no site www.accg.org.br

CEVAM - Centro de valorização da Mulher - Combate a violência doméstica 

O Centro de Valorização da Mulher  CEVAM - É a chance que muitas mulheres tem para sair da situação de conflito que estão em suas famílias. A instituição atende mulheres, crianças e adolescentes em situação de violência, dando apoio psicológico, jurídico e pedagógico. As mulheres contam com diversos acompanhamentos e cursos para que possam aprender uma profissão e reingressar no mercado de trabalho. Tem ainda o projeto anjos da guarda em que pessoas podem ajudar uma criança da forma que puder. Seja apoio financeiro, materiais escolares, serviços médicos ou apenas levar a criança para passear no final de semana. Ajude!
Onde: Rua SNF 02, Qd. 1 A, Lt. 1 a 4, Setor Norte Ferroviário
Conta corrente para doações: Banco do Brasil Agência: 3689-7 Conta Corrente - 18786-0 
Informações e doações: 3213-2233 ou no site cevam.com.br

CVV - Centro de Valorização da Vida - Combate ao suicídio

O CVV – Centro de Valorização da Vida é uma organização não governamental com 53 anos de existência no Brasil, e foi criada para o serviço voluntário na prevenção de suicídio e apoio emocional. O serviço é gratuito, e é oferecido por voluntários que se disponibilizam para conversar com as pessoas de uma forma diferenciada e realmente preocupada com os sentimentos de quem entra em contato. Você pode se tornar voluntário entrando em contato pelo telefone 3223-4041 ou no local de atendimento Ed. Anhanguera - Quadra 21 - Lote 30 - Av. Anhanguera, 5389 - St. Central.
Onde: Ed. Anhanguera - Quadra 21 - Lote 30 - Av. Anhanguera, 5389
Informações: 3223-4041 ou no site cvv.com.br

ASCEP

Associação  de Serviços a Criança Especial de Goiânia foi fundada em 1987 por uma senhora que se dispôs a cuidar de crianças com deficiência. Depois com a quantidade de crianças que precisavam de ajuda aumentou foi preciso mudar para um ambiente maior.  A instituição realiza atendimento na área de assistência social, fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, musicoterapia entre outros. Hoje o projeto atende cerca de 110 crianças especiais e só é mantido através de doações.
Onde: Rua Pucinne, Nº 50 - Jardim Europa
Informações: (62) 3239-0400 | 3239-0410
Site: www.ascep.com.br

Projeto Emanuel - Ressocialização de moradores de rua e ex- presidiários

O Projeto Emanuel tem modificado a vida de diversas pessoas em situação de rua e na reintegração social de ex- presidiários. O Pastor Wellington Correia é o idealizador do projeto que teve início nas visitas que fazia ao presídio estadual. Enxergou que ajudando essas pessoas, poderia através da instituição impactar positivamente suas vidas e de suas famílias. A sede está em construção para melhor atender quem precisa.
Onde: Rua Luciano Asseimer Toledo, Qd 06 - Chácara 06 - Conjunto Vista Alegre - Goiânia
Informações: 91459569 / 99434232 / 3203-2991
Conta Corrente para doações: Banco Itaú - Agência 7832 - Conta: 059849

Associação de Proteção e Assistência ao Reeducando – APAR

A Associação de Proteção e Assistência ao Reeducando (APAR) é uma organização que atua há 35 anos prestando serviços aos presidiários e egressos com colocação profissional, além de auxílio às famílias dos presos com a oferta de cursos profissionalizantes e cestas básicas. Também presta apoio a adolescentes infratores que cumprem medidas socioeducativas fechadas. Para ajudar basta ir à sede da associação ou ligar para os telefones de contato.
Telefones: (62) 9 9637 -7776 Eurípedes | (62) 9 9944- 7720 Paulo
Endereço: Avenida Anhanguera, esquina com Tocantins, n 5399, sala 1708, Setor Central, Goiânia

Creche Casa do Caminho

A Entidade Filantrópica, fundada 1991, desenvolve trabalhos assistenciais com a comunidade em geral. São mais de 250 crianças atendidas e ainda promove trabalhos com gestantes e mães solteiras. A creche possui um programa de doação de livros, alimentos e conta com a ajuda de voluntários frequentemente.
Telefone: 62 3210-7436 (Joaquim)
Endereço: Rua JC-36 Qd.10 Lt.13/14 – Jardim Curitiba-I
Site: www.crechecasadocaminho.com.br

Residencial Professor Niso Prego

A unidade atende crianças de 0 a 12 anos que foram afastadas do convívio familiar por meio de medida protetiva aplicada por autoridade judicial. O Residencial Professor Niso Prego oferece às crianças, que estão sob algum tipo de processo judicial (se irão pra algum parente ou se voltaram para os pais ou se irão para adoção), um ambiente agradável, educativo e seguro.
Telefone: 62 3541-1882 (Flávia)
Endereço: Rua SC-06 APM 2B QD. 22 LT. 2C – Setor Goiânia 2

Observatório Social de Goiânia – OSGyn

Essa ONG é um espaço para o exercício da cidadania para voluntários apartidários. O objetivo do observatório (que existe em quase todo Brasil) é de contribuir para a melhoria da gestão pública. Cada Observatório Social é integrado por cidadãos em favor da transparência e da qualidade na aplicação dos recursos públicos. Pra quem se preocupa com problemas como a corrupção no Brasil e quer lutar contra isso, o OSGyn pé o lugar correto para se voluntariar.
Endereço: Rua 101, nº 123 Ed. Centro de Serviços OAB – Setor Sul
Telefones: 62 8213-1994 (Ana Emília) ou 62 99688-4571 (Isabel)

Manassés

Quem já andou de ônibus em Goiânia já deve ter encontrado rapazes ex-dependentes químicos vendendo balas e divulgando o nome desse instituto. A Manassés busca recuperar os dependentes em drogas e orientá-los para reintegração na sociedade. A Casa também é mantida através de doações, voluntários e trabalhos dos próprios internos. Sabemos o quanto a sociedade vem sofrendo com a interferência das drogas na vida de jovens, adolescentes e pais de família. A destruição causada é enorme. Recuperar essas pessoas e socializá-las é super importante. 
Onde: Av. Venerando de Freitas Borges, 692 - Qd 5, lote 2, Setor Jaó, Goiânia - GO.
Informações: (62) 3609-6089

Vila São Cottolengo 

Situada em Trindade, região metropolitana de Goiânia, a Vila São Cottolengo é uma instituição filantrópica com mais de 60 anos de história. É um centro especializado em reabilitação física, auditiva e intelectual. São realizados cerca de 2.400 atendimentos diariamente. É conveniado ao SUS e sobrevive por doações. Você pode ajudar tanto com dinheiro, mantimentos ou tempo livre. Voluntariado sempre é bem-vindo.
Onde: Av. Manoel Monteiro, N 163 Bairro Santuário, Trindade-GO
Informações para doações: 3506-9017 | 3506-9243
E-mail: doacoes@cottolengo.org.br
Conta corrente para doações:Banco do Brasil: Agência 2738-3  Conta: 55100-7
Site: www.cottolengo.org.br

APAE - Apoio a pessoas com deficiência intelectual

A associação dos pais e amigos dos excepcionais, cuida em Goiânia de aproximadamente 500 pessoas com deficiência intelectual, oferecendo serviços de assistência social, prevenção na saúde, educação e preparação para o mercado de trabalho. É pioneira e referência neste tipo de ação no Brasil, ajudando as famílias a lidar melhor com o deficiente intelectual. O trabalho é lindo e tem feito a diferença na sociedade. 
Endereço: Rua 255, nº 628, Setor Coimbra, Goiânia - GO.
Fone: (62) 3226-8000
Site: http://www.goiania.apaebrasil.org.br/
Email: contato@apaedegoiania.org.br

Asilo Solar Colombino Augusto de Bastos

O que doar: Café, açúcar, manteiga de leite, carne vermelha (em bife ou moída), sabão em pó, detergente, água sanitária, desinfetante, sabonete líquido, fraldas geriátricas,  álcool em gel e doações em dinheiro.
Horário de funcionamento do brechó: De terça a sexta-feira, das 8h às 17h
Endereço: Avenida Antônio Fidelis, nº 800, Parque Amazônia, em Goiânia.
Informações: (62) 3280-1031.

Grupo Aids: Apoio, Vida, Esperança (Aave)

O que doar: alimentos, produtos de limpeza e dinheiro.
Onde doar: Rua Iporá, qd 19, lt 15, nº 170, Bairro Nossa Senhora de Fátima, Cidade Jardim, Goiânia - GO.
Informações: Telefone (62) 9 8605-5695 | e-mail: aave@grupoaave.org

Projeto Minha Oportunidade (PMO)

O que doar: alimentos, roupas, brinquedos, material esportivo, dinheiro
Endereço: Rua La Rochelle, Qd. 28, Lt. 10, Campos Elíseos – Aparecida de Goiânia
Telefone: (62) 3277-3036 / 99153-6717.

Abrigo São Vicente de Paulo

O que doar: alimentos, fraldas geriátricas e produtos de higiene e limpeza
Endereço: Rua B-6, nº 72, Vila Americano do Brasil, Goiânia
Informações: (62) 3251-5122.

Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (CRER)

O que doar: fraldas descartáveis geriátricas, alimentos não perecíveis, roupas, calçados, brinquedos, cadeiras de rodas, andadores e muletas.
Endereço: Avenida Vereador José Monteiro, nº 1.655, Setor Negrão de Lima
Informações: (62) 3232-3232.

Legião da Boa Vontade (LBV)

O que doar: dinheiro, alimentos, material de higiene, roupas, sapatos e móveis.
Endereço: Rua Jamil Abraão, número 645, Setor Rodoviário, Goiânia.
Informações: (62) 3531-5000.

Núcleo Social Dona Judith

O que doar: alimentos, material de higiene, material de limpeza, material escolar, material esportivo, roupas, sapatos.
Endereço: Rua Santa Luzia Qd. 23 Lt.8 – Bairro Nova Cidade, Aparecida de Goiânia.
Informações: (62) 3537-2278.

sexta-feira, 8 de abril de 2022

[Divulgação] Evento para médicos e nutricionistas


Ganepão 2022 - 10º International Conference of Nutritional Oncology / Congresso Brasileiro de Nutrição em Câncer / (ICNO/CBNC) e o 4º Congresso Internacional de Nutrição, Exercício e Saúde (NEXSA).

Data: de 08 a 11 de junho de 2022, sendo dias 8 e 9 de junho presencial, em São Paulo/SP e dias 10 e 11 de junho, 100% Online.

Quatro dias de intensa atividade científica e didática, dividida por áreas de interesse que chamamos de “trilhas de sucesso da nutrição”, que são: nutrição clínica, consultório, nutrição oncológica (ICNO) e nutrição em atividade física (NEXSA), sob responsabilidade do nosso corpo docente multiprofissional composto por renomados professores nacionais e internacionais da América Latina, Estados Unidos e Europa. Conteúdo científico e prático relevante, networking e uma nova forma de experiência em eventos serão os grandes destaques dessa edição.

Informações, programação e inscrições: www.ganepao.com.br

secretaria@ganepao.com.br

(11) 97879.0664

 

A visão preconceituosa que os médicos possuem da Nutrologia


Se por um lado, a população busca cada vez mais o auxílio de nutrólogos, por outro, profissionais da saúde AINDA possuem uma visão preconceituosa da especialidade. 

Mas por que isso acontece? Muitas vezes julgamos por puro pré-conceito, mas no caso da Nutrologia existem algumas explicações bem plausíveis e que justificam esse pré-conceito. 

Fiz a minha pós em 2014 na ABRAN e naquela época a Nutrologia ainda não tinha estourado, como a especialidade "da moda". 

De lá pra cá, a especialidade cresceu muito. O número de vagas de residência quase dobrou, sinal de que mais médicos buscam a especialidade. Mas afinal, quais seriam essas explicações para a má fama dos nutrólogos perante os demais colegas?

Sempre falo para colegas que na Nutrologia temos 4 grandes problemas.

Primeiro problemaescassez de vagas de residência, mesmo sendo uma especialidade desde 1978 e tendo surgido na América latina antes mesmo da Nutrição, pelas mãos do médico argentino Pedro Escudero. 

Se há escassez de vagas, quem deseja se especializar e não consegue ou não quer fazer a residência, acaba recorrendo às pós-graduações (aula 1 vez por mês aos finais de semana). 

Com isso a formação sai bastante deficitária, já que fazer uma pós-graduação lato sensu não se compara à formação dada por uma residência. Experiência própria de quem fez pós, mas convive diariamente com quem fez residência. 

Dá para se formar bons profissionais com pós-graduação? Sim, mas é bem mais difícil. Dependerá de inúmeros fatores, dentre eles a vivência da especialidade, disciplina e empenho do médico. 

Pois, quando se está em serviços grandes (leia-se SUS), recebemos uma variedade grande de patologias. Quando o médico se restringe ao consultório, essa variedade reduz substancialmente. Na residência se aprende pela repetição diária. Isso sedimenta o conhecimento e forma melhores profissionais. 

Segundo problemaquantidade exorbitante de médicos que atuam sem serem especialistas

No Brasil se uma pessoa deseja atuar em uma especialidade, ela como médica pode atuar. Não existe impedimento legal, ou seja, mesmo sem a formação padrão-ouro (leia residência) ela pode atuar.

Porém, se der algum tipo de problema na justiça, o juiz e o médico perito (caso ela não seja titulada ou tenha feito a residência) reconhecerão que o ela foi imperita. 
imperito
adjetivo substantivo masculino
1. que ou aquele que não sabe; ignorante.
"(aluno) i. em questões gramaticais"
2. que ou aquele que é inábil ou imperfeito na sua profissão ou arte.

Nesse contexto, segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM) em seu site, somos pouco mais de 1200 Nutrólogos ativos no Brasil. 

A conta não bate !

Em um passeio por redes sociais, encontramos 01 nutrólogo a cada metro quadrado da web, exageros à parte... seriam "nutrólogos" mesmo? Não. A grande maioria que se diz, na verdade não é. São o que denominamos de "nutrólogos sem RQE", ou seja, não são Nutrólogos.

E eles sabem que não podem propagar que fizeram pós-graduação, pois isso configura infração ética. 

E eles também sabem que não podem induzir o paciente a pensar que são especialistas. 

Mas na realidade é que a grande faz isso, mesmo sabendo que não é o correto. 

Resultado: o segundo problema! Uma grande quantidade de profissionais que atuam, se dizem "Nutrólogos" e não são. 

Então te faço uma pergunta: Isso é ou não é um prato cheio para a Nutrologia ser malvista? Entende que as vezes o preconceito é justificável?

Poucas áreas na medicina tem tantos profissionais sem registro de qualificação de especialista (RQE) como a Nutrologia, Endocrinologia, Dermatologia. 

Terceiro problema: acréscimo de práticas não respaldadas pela ABRAN

Condutas dentro da Nutrologia podem ser controversas. O que mais há no mundo das ciências nutricionais são controvérsias e incertezas. 

Há quem defenda utilização de hormônios para fins estéticos, implantes hormonais, soros endovenosos desnecessariamente, nutrientes injetáveis mesmo com trato digestivo funcionante. 

Quando falo Nutrologia, englobo somente aqueles que possuem RQE. A Nutrologia clássica, defendida pela ABRAN não tem dentro do seu roll de procedimentos esse tipo de prática, conforme consta no próprio site da ABRAN. 

Essas práticas não possuem respaldo da ABRAN. Ou seja, podemos considerá-las práticas paralelas à Nutrologia. Muitas delas também não possuem a chancela do Conselho Federal de Medicina. 

E como eu disse, estão sendo praticadas por médicos Nutrólogos, ou seja, médicos com RQE de Nutrologia. 

Isso, aos olhos das outras especialidades, esses Nutrólogos também são malvistos. Esta aí o terceiro problema e que justifica o preconceito.

Quarto problemaa grande má fama que os demais médicos possuem da Nutrologia

Quando decidi realizar o curso básico de Nutrologia para acadêmicos de medicina,  preparei um questionário pré-inscrição e nele acrescentei uma série de perguntas. Dentre elas a seguinte afirmação:

Qual a visão que os médicos que você convive (professores, amigos, colegas) possuem dos Nutrólogos? 
Opção 1: Meus professores e colegas médicos possuem uma boa visão acerca da Nutrologia. Ou seja, visão positiva.
Opção 2: Meus professores e colegas médicos possuem uma visão preconceituosa sobre a Nutrologia. Acreditam ser uma área envolta em charlatanismo e com práticas não baseadas em evidência. Ou seja, visão negativa.
Opção 3: Ainda não sei qual a visão meus professores e colegas possuem da Nutrologia.
Opção 4: Outro.

Obviamente, não preciso dizer que a maioria dos alunos (mais de 130) responderam a opção 2. 

Ou seja, aqui o quarto problema nos revela outras questões.

Esse preconceito existe em decorrência do desconhecimento do que é a real Nutrologia? 

Afinal, pouquíssimos médicos tiveram contato com a Nutrologia durante a graduação. Sequer sabem fazer orientações nutricionais básicas. 

Esse preconceito decorre de experiências ruins que esses profissionais tiveram com "nutrólogos", ou até mesmo com Nutrólogos com RQE?

Esse preconceito advém das condutas controversas citadas acima?

Esse preconceito existe fruto da ignorância de alguns médicos em sequer saberem o real papel do nutrólogo e muitas vezes confundirem com a atuação do nutrólogo com a do nutricionista?

É triste falar, mas Nutrólogos são nutricionistas de luxo, na visão de alguns profissionais ignorantes. 

Para vários médicos, o Nutrólogo é o profissional que fez uma pós de fim de medicina, não achou o seu lugar na medicina, resolveu atirar para todos os lados. 

É o profissional que ostenta em redes sociais. É aquele que propaga fake news e práticas com baixo nível de evidência. É o médico que lucra em uma tarde o que os demais levam uma semana para ganhar. 

É essa infeliz visão que percebo na prática e se confirma no questionário aplicado. 

Os problemas foram gerados, mas há soluções? Sim, porém, demanda tempo e consiste em um trabalho árduo, que poucos querem pagar o preço.

Eu e nem meus colegas do movimento Nutrologia Brasil, por mais que façamos postagens esclarecedoras sobre o que é a Nutrologia, dificilmente convenceremos os atuantes na Nutrologia a agirem dentro do que acreditamos ser a real Nutrologia (defendida pela ABRAN).

Porém, se agirmos na base, nos acadêmicos de medicina, podemos mostrar, ensinar e direcioná-los para um caminho que acreditamos ser o correto. 

Como consequência disso, levaremos à graduação de medicina grandiosidade da nossa especialidade e a real forma de atuação da Nutrologia. 

Esse é o objetivo do nosso curso, mostrar para o acadêmico de medicina:
Quando a Nutrologia surgiu
O que faz um Nutrólogo
A infinidade de áreas ele pode atuar
A diferença entre o nutrólogo e o nutricionista, bem como a importância de um na atuação do outro.
A diferença entre o nutrólogo e o endocrinologista, o que é competência de cada um. 
O que faz parte do roll de procedimentos nutrológicos.
O que segundo a ABRAN não faz parte da real Nutrologia.
O que segundo o CFM é vetado ao médico praticar. 
Que Nutrologia não é sinônimo de tratamentos caros e sequer precisa incluir medicações manipuladas.
Quais as indicações para utilizar a via parenteral.
Como a nutroterapia pode agir na prevenção e tratamento de diversas doenças. 
Que dá para ser um profissional de sucesso, praticando uma Nutrologia séria, ética, baseada em evidências. 

Temos muito chão pela frente. Como diz uma grande professora de Nutrologia (Dra. Sandra Lúcia Fernandes): "não desanimemos diante das adversidades, mostremos o nosso real valor, lutemos pela especialidade, conquistemos nosso espaço". 

Sigamos avante em nossa missão.

Autor: Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13192 - RQE 11915

sábado, 12 de março de 2022

Médicos endocrinologistas goianos condenam uso do “chip da beleza” - Chip da Beleza Goiania

O Chip da Beleza (implante hormonal) é condenado nacionalmente em mais de uma oportunidade pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).

Ele consiste em um implante hormonal subcutâneo para fins estéticos e de aumento de desempenho físico, muito utilizado pelas mulheres -, também não encontra respaldo entre os especialistas que atuam em Goiás.  A mais recente orientação da Sbem nacional é bem clara e ratifica as posições anteriores: 
 
“A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) vem a público informar que também não reconhece os implantes de gestrinona como uma opção terapêutica para tratamento de endometriose, rechaça veementemente o seu uso como anabolizante para fins estéticos e de aumento de desempenho físico, e conclama as autoridades regulatórias para incluir a gestrinona na lista C5 e aumentar a fiscalização do uso inadequado destes implantes hormonais no nosso país”, diz trecho do documento divulgado no último dia 6 de novembro.
  
A decisão é acompanhada em 100% pela regional da Sbem em Goiás, presidida pelo endocrinologista Marco Elísio Sócrates de Castro. “Não há o reconhecimento científico para o tratamento de nenhuma doença ou situação a partir da gestrinona (um dos hormônios mais utilizados no chip da beleza)”, ressalta. “Uma das nossas lutas, atualmente, é para que a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] inclua a gestrinona no rol de anabolizantes, porque, assim, teríamos o controle especial e, na receita, haveria o CPF do prescritor e o CID da doença”, explica Marco, ao destacar que a medida seria uma estratégia para coibir o uso desse implante hormonal no Brasil.      
 
Neste sentido, a coordenadora do ambulatório de Tireoide do Hospital Estadual Alberto Rassi - HGG e também integrante da Sbem-GO, Raquel Andrade de Siqueira, lembra que a gestrinona já está na lista internacional de substâncias proibidas no esporte pela Agência Mundial Antidoping, a World Anti-Doping Agency (Wada). “Trabalhamos na conscientização, junto a colegas médicos e à sociedade, para mostrar que não há segurança científica no uso do chip da beleza”, pontua Raquel. 
 
Riscos

Na última recomendação emitida pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia está latente a preocupação com o aumento do uso desse recurso estético:  “No Brasil, a utilização de implantes hormonais utilizando esteroides sexuais e seus derivados aumenta de forma avassaladora”. 

“O comunicado da Sbem foi muito importante e serve como alerta”, avalia o endocrinologista Elias Hanna, que também é conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego). Ele reforça o que dizem os colegas: o chip da beleza não tem, conforme pontuam os especialistas, aceitabilidade terapêutica, já que não é um medicamento oral e, muito menos, deve ser recomendado para fins estéticos. “O excesso de androgênios traz inúmeros prejuízos à saúde da mulher, como propensão às doenças cardiovasculares e risco aumentado de câncer de mama e endométrio”, exemplifica.
 
A lista de malefícios, principalmente a longo prazo, é densa: além dos complicadores citados por Hanna, existem outros, alguns irreversíveis, como alteração da voz e aumento do clitóris. Aumento de pelos, oleosidade da pele, acne, toxidade hepática, risco de trombose também estão entre os efeitos colaterais da gestrinona.   

Mito da Mulher Maravilha

A coordenadora do HGG faz uma análise sobre o ritmo da sociedade atual, que não reconhece os limites físicos e o cansaço como características naturais de qualquer ser humano. Neste contexto, a mulher se sente ainda mais cobrada a atingir um padrão de perfeição que, na verdade, é inalcançável. 

"Vivemos em uma sociedade do 'cansaço', em que as pessoas são valorizadas pelo tanto que produzem. Por isso, estão eternamente insatisfeitas", assinala Raquel Andrade. "Muitas mulheres que buscam o chip da beleza estão atrás do vigor físico para dar conta de tantas tarefas e papeis desempenhados ao longo do dia", complementa a especialista, que acompanha a posição da Sbem em condenar o uso da substância por falta de evidências na literatura médica. 
 
Charlatanismo

Elias Hanna informa ainda que o exercício mercantilista da medicina é passível de pena no Cremego. "Denúncias podem ser feitas no conselho e as penas, se o caso for julgado procedente, depois da apresentação da defesa, podem variar de advertência à cassação do registro profissional". 

Na Sbem-GO chegaram, até o momento, duas denúncias de endocrinologistas que teriam receitado a gestrinona. A regional conta, atualmente, com 160 inscritos. 









Chip hormonal
Chip da Beleza
Chip da Beleza Goiania
Chip hormonal Goiania
Chip Goiânia
Implante hormonal
Implante Hormonal Goiânia

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

(Conteúdo para Médicos e Nutricionistas) - Efeitos adversos dos inibidores de bomba de prótons (prazóis) - Por Prof. Valentim Magalhães

Inibidores da bomba de prótons (IBPs), como o Omeprazol, são amplamente recomendados no tratamento de condições gástricas e estão entre os 10 medicamentos mais utilizados no mundo.

Seu uso a longo prazo, no entanto, está associado a diversos desfechos negativos, como profundas alterações no microbioma de todo o segmento do trato gastrointestinal que levam ao quadro de disbiose. A hipocloridria gástrica causada por IBPs favorece um microambiente pró-inflamatório, com bactérias orais e patogênicas aumentadas na microbiota intestinal. A nível populacional, mais alterações microbianas no intestino foram associadas ao uso de IBPs do que a antibióticos ou outras drogas. Os IBPs estão também associados ao risco de infecções entéricas, em particular ao aumento de 65% na incidência de infecção por Clostridium difficile. (1)

Além disso, o uso prolongado de IBP foi associado a um risco 2,4 maior de câncer gástrico, mesmo após a terapia de erradicação do H. Pillori. (2)

Uma revisão mostrou que os IBPs foram associados ao risco elevado de fraturas em 14 estudos, embora outros 4 não tenham relatado relação significativa. Os possíveis mecanismos incluem hipersecreção de gastrina e má absorção de minerais e vitaminas devido à hipocloridria. Os IBPs também podem ter ações diretas nas células ósseas, mas os estudos são limitados. (3)

Uma metanálise de 17 estudos encontrou risco 26% maior de fratura de quadril em pacientes com uso de IBPs. O risco persistiu mesmo quando estratificado por ajuste de cálcio e a duração do uso (p <0,0001). (4)

Destacamos que os IBPs possuem indicações clínicas específicas e o seu uso deve ser considerado quando o benefício superar o risco. O uso indiscriminado, crônico e sem acompanhamento profissional deve ser amplamente desencorajado. Pacientes em tratamento devem ser constantemente avaliados quanto a hipocloridria, digestão, saúde intestinal e óssea e níveis de vitamina e minerais (principalmente ferro, cálcio e B12).


Referências:
1) Imhann, Floris, et al. "Proton pump inhibitors affect the gut microbiome." Gut 65.5 (2016): 740-748.

2)Cheung, Ka Shing, et al. "Long-term proton pump inhibitors and risk of gastric cancer development after treatment for Helicobacter pylori: a population-based study." Gut 67.1 (2018): 28-35.

3) Thong, Benjamin Ka Seng, Soelaiman Ima-Nirwana, and Kok-Yong Chin. "Proton pump inhibitors and fracture risk: a review of current evidence and mechanisms involved." International journal of environmental research and public health 16.9 (2019): 1571.

4) Hussain, Salman, et al. "Proton pump inhibitors’ use and risk of hip fracture: a systematic review and meta-analysis." Rheumatology international 38.11 (2018): 1999-2014.

Autor: Prof. Valentim Magalhães

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

(Conteúdo para Médicos e Nutricionistas) - Recomendações alimentares para controle de peso e redução de risco cardiovascular - Por Prof. Valentim Magalhães

 Devido ao aumento crescente da obesidade desde 1975, o mundo científico tem se dedicado a elaborar recomendações alimentares para controle de peso e redução de risco cardiovascular (RCV). ⁣
Uma ampla promoção de programas dietéticos têm sido realizada pela mídia, gerando um grande debate acerca de qual abordagem seria a mais eficaz.⁣
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Uma revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados recente (2020) foi realizada para determinar a eficácia relativa de diferentes estratégias alimentares para perda de peso e melhoria dos fatores de RCV entre adultos sobrepesos/obesos. Dados de 121 ensaios clínicos randomizados, incluindo 21.942 indivíduos, foram utilizados.⁣
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As dietas foram categorizadas em padrões de macronutrientes, conforme descrito abaixo:⁣
🔹 Baixo Carboidrato (BC) (Ex: Atkins, Zone Diet, Paleo Lowcarb): ≤40% de CHO, 30% PTN e 30-55% LIP;⁣
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🔹 Baixa Gordura (BG) (Ex: Ornish Diet): 60% CHO, 10-15% PTN e ≤20% LIP;⁣
🔹 Moderada (MOD) (Ex: DASH, Mediterraneo, Vigilantes do peso, Alguns tipos de Paleolítica): 55-60% CHO, 15% PTN e 21-≤30% LIP.⁣
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Foram avaliadas alterações no peso corporal, perfil lipídico, pressão arterial e PCR nos 6 e 12 meses de acompanhamento dos estudos.⁣
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As evidências mostraram que alguns tipos de dieta possuem maior efeito a curto prazo (6 meses) na perda de peso e pressão arterial (como na Atkins ou DASH).
No entanto, diferença dos efeitos na redução de peso e nas melhorias dos fatores de RCV entre cada dieta desaparecem em grande parte após 12 meses de acompanhamento, sugerindo que fim todas terão resultados semelhantes nos parâmetros analisados.⁣
⠀⠀⁣
Conclui-se que este é mais um grande estudo, com metodologia criteriosa e publicado em uma das maiores revista do mundo, concluindo que a melhor dieta é a que o paciente conseguir aderir a longo prazo.⁣

Referência:
1) Referência: Ge L, Sadeghirad B, Ball GDC, et al. Comparison of dietary macronutrient patterns of 14 popular named dietary programmes for weight and cardiovascular risk factor reduction in adults: systematic review and network meta-analysis of randomised trials.

Autor: Prof. Valentim Magalhães

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

(Conteúdo para Médicos e Nutricionistas) - Ômega 3 e efeitos psiquiátricos - Por Prof. Valentim Magalhães

Os efeitos dos ácidos graxos ômega 3 nos transtornos psiquiátricos têm sido amplamente relatados em diversos estudos clínicos e metanálises. As membranas cerebrais contêm uma alta proporção de ômega 3, mas o mecanismo sugerido envolve, principalmente, a modulação do estado pró-inflamatório envolvido na fisiopatologia dessas doenças. ⁣
Os resultados se tornaram tão significativos que levaram a Sociedade Internacional de Pesquisa em Psiquiatria Nutricional a conduzir uma diretriz para prática clínica do uso de ômega 3 no Transtorno Depressivo Maior, revisada em 2020.⁣

Baseados em ensaios clínicos e metanálises, especialistas sugerem que EPA ou EPA/DHA (em proporção >2:1), com 1-2 g de EPA/dia por pelo menos 8 semanas, podem ser utilizados como tratamento adjuvante (e não como monoterapia!) em pacientes com Transtorno Depressivo Maior. ⁣
Uma metanálise de 19 estudos (n = 2.240) concluiu que o ômega 3 também pode ajudar a reduzir os sintomas de ansiedade clínica. A melhora dos sintomas foi significativamente maior no subgrupo com dosagem mais alta (≥ 2.000 mg/d). Além disso, os participantes que receberam suplementos contendo menos de 60% de EPA mostraram melhora significativa, mas não aqueles que receberam suplementos contendo 60% ou mais. ⁣
Este efeito oposto quanto a concentração de EPA e DHA sobre a ansiedade e a depressão é intrigante e possivelmente ligado a um mecanismo subjacente distinto do ômega 3. Outros estudos são necessários para uma compreensão melhor desses mecanismos e dosagens ideias.

Referências: 
1) Grosso, Giuseppe, et al. "Role of omega-3 fatty acids in the treatment of depressive disorders: a comprehensive meta-analysis of randomized clinical trials." PloS one 9.5 (2014): e96905.
2) International Society for Nutritional Psychiatry Research Practice Guidelines for Omega-3 Fatty Acids in the Treatment of Major Depressive Disorder.
3) Su, Kuan-Pin, et al. "Association of use of omega-3 polyunsaturated fatty acids with changes in severity of anxiety symptoms: A systematic review and meta-analysis." JAMA network open 1.5 (2018): e182327-e182327.
4) Liao, Yuhua, et al. "Efficacy of omega-3 PUFAs in depression: a meta-analysis." Translational psychiatry 9.1 (2019): 1-9.

Autor: Prof. Valentim Magalhães

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Razões para ir a um Nutrólogo em 2022

 Dias atrás li uma mensagem no instagram de um amigo (Dr. Haroldo Falcão) que dizia o seguinte: "Não espere a próxima pandemia para começar a investir em sua saúde". 

Nos últimos 2 anos, acredito (pelo menos no consultório) que nunca se buscou tanto por estratégias para melhorar a saúde, "fortalecer e blindar' o sistema imunológico, otimizar a performance na prática de exercícios.

Resumindo: a procura por um médico Nutrólogo aumentou muito, não só no consultório mas também no ambulatório que coordeno no SUS. Isso indica que cresce o numero de pessoas que estão mais preocupadas com prevenção, tratamento de doenças nutricionais e conhecendo melhor a atuação do médico Nutrólogo. 

Entretanto, para muitos (leigos e até mesmo profissionais da saúde), a função do Nutrólogo ainda não está tão bem esclarecida. Para piorar, acreditam erroneamente:
1) Que o tratamento Nutrológico é algo caro e elitizado;
2) Que o médico Nutrólogo prescreve anabolizantes, implantes (chips), hormônios para fins estéticos (algo expressamente proibido pelo Conselho Federal de Medicina).
3) Que médico apenas com pós-graduação em Nutrologia já é Nutrólogo. No Brasil ao todo somos apenas 1.236 Nutrólogos, ou seja, a grande maioria dos que se intitulam Nutrólogos, na verdade não o são.
4) Que a prescrição de soros endovenosos é rotina na Nutrologia quando se trata de pacientes saudáveis. Raramente se opta por essa via quando o trato digestivo está funcionante.
5) Que o médico Nutrólogo é aquele que solicita uma infinidade de exames, principalmente dosagem de nutrientes: sem critério algum e que gera sobrecarrega dos planos de saúde.
6) Que o Nutrólogo prescreve fórmulas kilométricas, receitas médicas de 3 páginas, inúmeros manipulados.

Há Nutrólogos titulados que fazem isso? Sim. Mas há também Nutrólogos que condenam essas práticas. Nós do movimento Nutrologia Brasil (@nutrologiabrasil) abominamos. 

Então, antes de consultar com um médico que se diz NUTRÓLOGO verifique se ele realmente é um Nutrólogo. É simples, basta uma consulta nesse site: https://portal.cfm.org.br/busca-medicos/

Digite o nome do médico lá. Caso ele seja especialista em Nutrologia estará descrito o número do registro de qualificação de especialista  (RQE) em Nutrologia.

Mas afinal, porque procurar um Nutrólogo em 2022 ? Os principais motivos para procurar um Nutrólogo em 2022 são: 
1) Se busca melhorar a sua saúde como um todo,
2) Se deseja ter uma alimentação mais equilibrada e fazer melhores escolhas alimentares,
3) Se anseia adotar hábitos mais saudáveis de vida,
4) Se quer ter mais disposição para realizar as atividades do cotidiano.

50 doenças e situações nas quais  presença e o acompanhamento com um Nutrólogo pode ser útil:
1) Pacientes críticos e internados em UTI, necessitando de suporte nutricional para melhorar o prognóstico e evitar complicações (ex. sarcopenia) após a alta.
2) Pacientes restritos ao leito hospitalar (internados) e que necessitam de suporte nutricional adequado (enteral ou parenteral).
3) Pacientes que foram/serão submetidos a cirurgias, principalmente as do aparelho digestivo.
4) Pacientes saudáveis que desejam verificar os níveis de nutrientes: vitaminas, minerais. Colesterol, triglicérides, ácido úrico, glicemia.
5) Pacientes que não conseguem ingerir comida por via oral (pela boca) e necessitam de sonda nasogástrica/nasoenteral ou por via endovenosa (na veia). Gastrostomia ou jejunostomia.
6) Pacientes com Baixa massa magra (sarcopenia) ou com baixo peso (desnutrição).
7) Portadores de Sobrepeso ou Obesidade.
8) Síndrome metabólica.
9) Esteatose hepática (gordura no fígado).
10) Pré-diabetes, Diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2.
11) Dislipidemias: aumento do colesterol e/ou dos triglicérides.
12) Acompanhamento Pré e pós-cirurgia bariátrica.
13) Transtornos alimentares, em acompanhamento conjunto com psiquiatras e psicólogos: Compulsão alimentar, Bulimia, Anorexia, Vigorexia, Ortorexia.
14) Alergias alimentares.
15) Intolerâncias alimentares (lactose, frutose, rafinose e sacarose). Intolerância FODMAPS e sensibilidade não-celíaca ao glúten.
16) Anemias carenciais (por falta de ferro, vitamina B12, ácido fólico, zinco, cobre, vitamina A).
17) Pacientes que optam pelo Vegetarianismo, veganismo, Piscitarianismo (consumo de Peixes), Reducitarianismo (redução do consumo de carne).
18) Pacientes com constipação intestinal (intestino preso).
19) Pacientes com quadros diarréicos crônicos (diarreias).
20) Pacientes com Disbiose intestinal, Síndrome de Supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO), Síndrome de supercrescimento fúngico (SIFO).
21) Portadores de Síndrome do intestino irritável, gases intestinais, distensão abdominal,  empachamento e digestão lentificada.
22) Pacientes com Doenças inflamatórias intestinais: Doença de Crohn e Retocolite ulcerativa.
23) Pacientes com Doença diverticular do cólon (divertículo e diverticulite).
24) Gastrite.
25) Doença do refluxo gastroesofágico.
26) Esofagite eosinofílica.
27) Acompanhamento nutrológico pré-gestacional, gestacional e durante a amamentação.
28) Casais com infertilidade (aspectos nutrológicos).
29) Pacientes portadores de doenças cardiológicas em acompanhamento com cardiologista: Hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana, arritmia cardíaca, valvulopatias.
30) Pacientes portadores de doenças pulmonares em acompanhamento com pneumologista: enfisema pulmonar, bronquite crônica, asma, fibrose cística.
31) Pacientes portadores de doenças renais em acompanhamento com nefrologista: insuficiência renal crônica, litíase renal (cálculos renais), cistite intersticial, hiperuricemia (aumento do ácido úrico), gota.
32)  Pacientes portadores de doenças no fígado/vias biliares em acompanhamento com hepatologista: insuficiência hepática, hepatites virais ou autoimunes, Síndrome de Gilbert, Litíase biliar (pedra na vesícula).
33) Portadores de Osteoporose ou osteopenia.
34) Pacientes portadores de doenças autoimunes e que estão em acompanhamento com especialista na área, tais como aartrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico, doença de hashimoto, psoríase, vitiligo, doença celíaca, espondilite anquilosante.
35) Portadores de doenças neurogenerativas e que estão em acompanhamento com neurologista: esclerose múltipla, esclerose lateral amiotrófica, atrofia muscular espinhal (AME), doença de Alzheimer (DA) e outras demências, doença de Parkinson, doenças do neurónio motor (DNM), doença de Huntington (DH).
36) Pacientes portadores de cefaléias e enxaquecas, que já estão em acompanhamento com Neurologista.
37) Pacientes portadores de epilepsia, com crises convulsivas refratárias e que por indicação do neurologista pode-se utilizar dieta cetogênica.
38) Pacientes portadores do vírus HIV e que estão em tratamento com terapia antiretroviral sob supervisão de infectologista.
39) Pacientes portadores de câncer em acompanhamento com oncologista.
40) Pacientes portadores de transtornos psiquiátricos e que estão em acompanhamento com psiquiatra e psicoterápico: Transtorno de ansiedade generalizada, Síndrome do pânico, Depressão, Transtorno bipolar, Transtorno do déficit de atenção, Esquizofrenia.
41) Portadores de distúrbios do sono: insônia, apnéia obstrutiva do sono, sonolência diurna, sensação de sono não reparador, que estão em acompanhamento com Médico do sono.
42) Pacientes que apresentam fadiga, cansaço crônico, fraqueza, indisposição. Já que muitas vezes o sintoma pode ser decorrente da privação de algum nutriente, presença de metal tóxico ou de hábitos dietético-higiênicos errados.
43) Pacientes com falta de macronutrientes (carboidratos, proteína e gorduras) ou de micronutrientes (vitaminas, minerais).
44) Pacientes que desejam melhorar a performance na prática desportiva, atletas profissionais ou amadores. Acompanhamento conjunto com o médico do esporte.
45) Pacientes que desejam ganhar massa magra sem utilização de anabolizantes.
46) Pacientes com alterações dermatológicas, as quais pode existir um componentes nutricional: Acne, rosácea, queda de cabelo, unhas quebradiças.
47) Portadores de candidíase de repetição.
48) Mulheres com Tensão pré-menstrual e que já estão em acompanhamento com ginecologista.
49) Pacientes portadores de zumbido e vertigem, que o Otorrinolaringologista ou Neurologista indica adequação dietética.
50) Pacientes com fibromialgia.

Atenção, a lista acima enumera situações e doenças que o Nutrólogo pode auxiliar. Não quer dizer que eu ou meus colegas atendemos tudo isso. 
É importante salientar que o Nutrólogo geralmente trabalha em parceria com Nutricionistas. 

Abaixo alguns textos que podem esclarecer mais sobre a Nutrologia:

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

(Conteúdo para Médicos e Nutricionistas) -Funções da vitamina B12 - Por Prof. Valentim Magalhães

A vitamina B12 desempenha suas funções através de suas duas formas de enzimas ativas: metilcobalamina e adenosilcobalamina. Vamos entender melhor essas reações bioquímicas e como elas se refletem em sinais clínicos.

Metilcobalamina: participa da metabolização da homocisteína em metionina, que será convertida na SAM. Portanto, a deficiência de B12 leva ao acúmulo de homocisteína (neurotóxica) e deficiência de SAM. Como a SAM é um doador de metil para reações do corpo, a deficiência de B12 leva à alteração da expressão genética por impactar as metilações do DNA. A SAM também influencia na síntese de serotonina, noradrenalina e dopamina, sugerindo que a deficiência de B12 possa também impactar neurotransmissores relevantes para o estado mental.

Essa mesma reação é necessária para conversão 5-MTHF em THF e 5,1O-MTHF, que participa da síntese de DNA. Por isso, a deficiência de B12, assim como de B9, afeta as células da medula óssea que se dividem rápido, levando à produção de células sanguíneas imaturas e aumentadas (resultado da síntese de DNA prejudicada) e subsequente anemia megaloblástica.

Na depleção de B12, o folato permanece preso como 5-MTHF (forma presente no plasma). Nessa situação, as células sofrem de pseudo-deficiência de folato, onde folato sérico pode estar alto, mas não está disponível síntese de DNA.

Adenosilcobalamina: atua como um co-fator para a enzima que converte o metilmalonil CoA em succinil CoA, um metabólito do ciclo de Krebs relacionado ao metabolismo de aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA) e ácidos graxos.

A deficiência da B12 leva ao acúmulo de metilmalonil CoA e consequentemente de ácido metilmalônico (MMA). O MMA elevado leva à mielinização anormal, prejudicando o impulso nervoso e função neurológica.

A homocisteína e o MMA elevados são, portanto, marcadores funcionais da deficiência de B12, sendo o segundo mais caro e menos usado na prática clínica. No entanto, a homocisteína pode estar elevada por outros fatores, portanto deve ser correlacionada a avaliação clínica (análise dos fatores de risco e sinais e sintomas) e valores séricos de B12 e B9.

Referências: 
1. Hughes, Catherine F., et al. Vitamin B12 and ageing: current issues and interaction with folate. Annals of clinical biochemistry 50.4 (2013): 315-329.
2. Gröber, Uwe, Klaus Kisters, and Joachim Schmidt. "Neuroenhancement with vitamin B12 underestimated neurological significance." Nutrients 5.12 (2013): 5031-5045.
3. Bottiglieri, Teodoro. Folate, vitamin B₁₂, and S-adenosylmethionine. The Psychiatric Clinics of North America 36.1 (2013): 1-13.
4. Mischoulon, David, and Maurizio Fava. Role of S-adenosyl-L-methionine in the treatment of depression: a review of the evidence. The American journal of clinical nutrition 76.5 (2002): 1158S-1161S.
5. Azzini, Elena, Stefania Ruggeri, and Angela Polito. Homocysteine: its possible emerging role in at-risk population groups. International journal of molecular sciences 21.4 (2020): 1421.
6. Rizzo, Gianluca, et al. Vitamin B12 among vegetarians: status, assessment and supplementation. Nutrients 8.12 (2016): 767.
7. O’Leary, Fiona, and Samir Samman. Vitamin B12 in health and disease. Nutrients 2.3 (2010): 299-316.

Autor: Prof. Valentim Magalhães

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

(Conteúdo para Médicos e Nutricionistas) - Endometriose - Por Prof. Valentim Magalhães

A endometriose, caracterizada pela presença de endométrio fora da cavidade uterina, é uma das doenças ginecológicas mais prevalentes, afetando 6–10% das mulheres em idade reprodutiva. É uma doença caracterizada por dor associada à menstruação e relação sexual, desconforto ao urinar e infertilidade.

A inflamação desempenha papel fundamental na sua fisiopatologia, bem como na dor e na subfertilidade associadas. Mulheres com endometriose apresentam aumento do estresse oxidativo na cavidade peritoneal e no sangue, o que está associado a processos inflamatórios crônicos.

Estudos de associação revelaram que frutas, vegetais, laticínios e ômega-3 estão relacionados ao menor risco de desenvolver endometriose. Os fatores que aumentam o risco incluem o ácidos graxos trans, excesso de gorduras, carne vermelha e embutidos e álcool.

Em um ensaio clínico, 59 mulheres foram aleatoriamente designadas para receber por 8 semanas: 1200 UI de Vit E + 1000 mg de VitC ou placebo. Após a intervenção, a dor crônica melhorou em 43% dos pacientes e houve diminuição significativa nos marcadores inflamatórios do líquido peritoneal no grupo com antioxidantes (p=0,0055) em comparação ao placebo. No mesmo grupo, a dor associada à menstruação e ao sexo diminuíram em 37% e 24% das pacientes, respectivamente.

A retirada de soja, glúten e FODMAP foram associados a melhora da endometriose, mas apenas em relatos de caso (baixa qualidade científica) e em pacientes com endometriose e síndrome do intestino irritável associada. Entende-se que o aumento da inflamação e distensão abdominal em indivíduos com intolerâncias específicas piore os sintomas da endometriose. SOMENTE nesses casos, recomenda-se o manejo da dieta evitando esses alimentos.

A evidência que relaciona dieta e endometriose ainda é limitada, mas todos os nutrientes que se mostraram eficazes tiveram ações antiinflamatórias ou antioxidantes. Portanto, a Sociedade Alemã de Nutrição, bem como outros órgãos, recomenda uma dieta balanceada e anti-inflamatória, rica em antioxidantes, e retirada do álcool. A suplementação de vitaminas antioxidantes pode ser considerada individualmente quando o aporte além da alimentação for necessário.

Referências: 

1. Huijs, Emma, and A. W. Nap. "The effects of nutrients on symptoms in women with endometriosis: a systematic review." Reproductive BioMedicine Online (2020).
2. Caserta, D., et al. "Celiac disease and endometriosis: an insidious and worrisome association hard to diagnose: a case report." Clin Exp Obstet Gynecol 41.3 (2014): 346-348.
3. Chandrareddy, Ashadeep, et al. "Adverse effects of phytoestrogens on reproductive health: a report of three cases." Complementary Therapies in Clinical Practice 14.2 (2008): 132-135.
4. Moore, Judith S., et al. "Endometriosis in patients with irritable bowel syndrome: specific symptomatic and demographic profile, and response to the low FODMAP diet." Australian and New Zealand Journal of Obstetrics and Gynaecology 57.2 (2017): 201-205.
5. Santanam, Nalini, et al. "Antioxidant supplementation reduces endometriosis-related pelvic pain in humans." Translational Research 161.3 (2013): 189-195.
6. Jurkiewicz-Przondziono, Joanna, et al. "Influence of diet on the risk of developing endometriosis." Ginekologia polska 88.2 (2017): 96-102.

Autor: Prof. Valentim Magalhães

terça-feira, 9 de novembro de 2021

(Conteúdo para Médicos e Nutricionistas) - Dor muscular, como a Nutrição pode te auxiliar ? Por Prof. Valentim Magalhães

A dor muscular de início tardio (DMIT) tem como característica o início cerca de 24-72h após o exercício e é induzida pelo dano muscular gerado durante a atividade. Normalmente é causada por estímulos diferentes no treino (exercícios não habituais) e resulta em dor, inflamação, função muscular reduzida e costuma ter uma intensidade maior em indivíduos iniciantes.

O dano muscular que acompanha a DMIT normalmente também causa alterações de alguns marcadores bioquímicos, como creatina quinase (CK), lactato desidrogenase (LDH) e mioglobina, que extravasam da célula muscular para o sangue. Por isso, ao realizar um exame de sangue próximo a um treino intenso, é natural que esses marcadores estejam alterados (o que não necessariamente significa que foi um treino bom).

Esses desfechos negativos podem causar desconforto e prejudicar o desempenho subsequente ou a qualidade do treinamento, particularmente em indivíduos que têm tempo limitado para se recuperar entre as sessões de treinamento ou competições.

A nutrição é aliada no controle da DMIT e ganhou muita atenção na literatura nos últimos anos, entre algumas das estratégias destacam-se:

Frutas: a utilização de frutas/sucos de frutas como cereja, uva, melancia e laranja possuem grande capacidade antioxidante devido a presença de antocianinas (cereja e uva), citrulina (melancia) e vitamina C (cereja e laranja). Em conjunto, essas frutas tem mostrado benefícios como diminuição da DMIT, marcadores de dano muscular e inflamação.

Suplementos: foram descritos como eficientes a creatina e ômega, devido a ação anti-inflamatória; as proteínas, por aumentarem a síntese proteica e recuperação muscular; a Vit D por contribuir no remodelamento muscular e a cafeína por modular a dor ao se ligar no receptor de adenosina.

Ervas: mais recentemente também foi investigado o uso de plantas como gengibre, chá verde, cúrcuma, ginseng e rhodiola rosea. Todas atuam modulando a inflamação e possuem potencial efeito positivo no controle da DMIT.

Vale lembrar que antes de estratégias pontuais, como suplementos ou algum alimento especifico, é necessário cuidar da base: padrão alimentar, hidratação e sono.
 

Referência: Harty PS, Cottet ML, Malloy JK, Kerksick CM. Nutritional and Supplementation Strategies to Prevent and Attenuate Exercise-Induced Muscle Damage: a Brief Review. Sports Med Open. 2019 Jan 7;5(1):1. doi: 10.1186/s40798-018-0176-6. PMID: 30617517; PMCID: PMC6323061.

Autor: Prof. Valentim Magalhães

terça-feira, 2 de novembro de 2021

(Conteúdo para Médicos e Nutricionistas) - Asma - Como a Nutrição pode te auxiliar ? Por Prof. Valentim Magalhães

A asma é uma doença crônica comum, caracterizada por inflamação das vias aéreas, o que pode levar a períodos de obstrução ao fluxo de ar. Além do tratamento medicamentoso, existem medidas de controle ambiental (por exemplo, regulação da umidade, aspirar o ambiente e controle de pragas) que podem reduzir as exacerbações da doença. 

A alimentação também pode ser uma intervenção coadjuvante de impacto positivo. Por exemplo, análises epidemiológicas sugerem que o maior consumo de frutas e vegetais podem reduzir o risco de desenvolver asma, assim como controlar o curso da doença.

Um ensaio clínico randomizado de duas semanas revelou uma melhora clínica significativa da asma em indivíduos que receberam dieta com ≥5 porções de vegetais e 2 porções de frutas por dia, em comparação a dieta com ≤2 porções de vegetais e 1 porção de fruta por dia.

Por outro lado, a ingestão de lacticínios tem sido associada a exacerbação da asma. Em um estudo piloto, uma dieta sem leite e ovos por 8 semanas melhorou em 22% a taxa de fluxo expiratório de pico, enquanto as crianças que seguiram suas dietas normais experimentaram uma redução de 0,6% (P<0,05 entre grupos). Os estudos ainda são limitados e, portanto, a escolha dessa estratégia deve ser individual, analisando intolerâncias, riscos/benefícios e resposta clínica.

Em relação aos padrões dietéticos, a alimentação com caráter mediterrâneo e/ou plant-based é recomendada para reduzir o risco de desenvolvimento e exacerbação da asma, devido a sua capacidade anti-inflamatória. Diversos estudos apoiaram a ideia de que a maior ingestão de vegetais e menor de alimentos de origem animal se relaciona, de forma estatisticamente significativa, a menor gravidade da doença.

Mais especificamente, o aumento da ingestão de antioxidantes, fibras e ácidos graxos poli-insaturados diminui as respostas inflamatórias nas vias aéreas e, consequentemente, o quadro da asma.

Em um ensaio clínico recente, a dieta DASH por 6 meses reduziu os marcadores pró-inflamatórios associados a asma (P <0,05), corroborando que mudanças na dieta podem ter efeitos benéficos na asma.


Referências:
1. Alwarith, J., Kahleova, H., Crosby, L., Brooks, A., Brandon, L., Levin, S. M., & Barnard, N. D. (2020). The role of nutrition in asthma prevention and treatment. Nutrition Reviews, 78(11), 928–938. https://doi.org/10.1093/nutrit/nuaa005
2. Nygaard, U. C., Xiao, L., Nadeau, K. C., Hew, K. M., Lv, N., Camargo, C. A., … Ma, J. (2021). Improved diet quality is associated with decreased concentrations of inflammatory markers in adults with uncontrolled asthma. (9), 1–16.
3. Wood LG, Garg ML, Smart JM, Scott HA, Barker D, Gibson PG. Manipulating antioxidant intake in asthma: a randomized controlled trial. Am J Clin Nutr. 2012 Sep;96(3):534-43. doi: 10.3945/ajcn.111.032623. Epub 2012 Aug 1. PMID: 22854412.
4. Yusoff NA, Hampton SM, Dickerson JW, Morgan JB. The effects of exclusion of dietary egg and milk in the management of asthmatic children: a pilot study. J R Soc Promot Health. 2004 Mar;124(2):74-80. doi: 10.1177/146642400412400211. PMID: 15067979.

Autor: Prof. Valentim Magalhães